Campinas usará água tratada de esgoto no abastecimento

Cidade vai aproveitar o reúso para aumentar a captação do Rio Atibaia; medida faz parte de pacote anunciado para enfrentar crise

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2014 | 23h49

SÃO PAULO - Em meio à maior crise hídrica da história do Estado de São Paulo, Campinas será a primeira grande cidade do País a usar água tratada de esgoto para consumo humano. A medida foi anunciada nesta quinta-feira, 30, pela prefeitura e pela Sanasa, empresa responsável pelo fornecimento de água para a cidade de 1,1 milhão de habitantes, e deve atingir 7% da população.

A água produzida a partir de esgoto tratado é de qualidade, mas não é potável. Atualmente, o produto é usado apenas em jardins e para lavar praças da cidade. No entanto, a construção de um sistema adutor estimado em R$ 12 milhões, em parceria com o Aeroporto Internacional de Viracopos, que já consome água de reúso para limpeza e outros serviços, vai permitir o consumo humano. A obra será concluída em um ano e meio.

O novo sistema adutor, com 19 quilômetros de extensão, levará a água da Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR) para a área de captação do Rio Capivari. Esse volume poderá elevar em até 290 litros por segundo a vazão do rio e incrementar em até 600 litros por segundo a capacidade de fornecimento do Rio Atibaia. Os dois rios integram a Bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e são abastecidos pelo Sistema Cantareira, que no interior atende 5,5 milhões de pessoas.

“Esta medida traz dois ganhos: eliminação de odor e aumento da oferta de água na captação do Rio Atibaia, por meio da recarga do manancial com água de altíssima qualidade, com 99% de pureza, resultante da operação da EPAR”, diz o prefeito Jonas Donizette (PSB).

A água de reúso será adicionada ao volume do rio e passará por um novo tratamento, o que permitirá o fornecimento à população. “Os técnicos disseram que a água de reúso, que sai da estação de tratamento de esgoto, é mais limpa que a água do Rio Capivari”, assegura o secretário de Comunicação de Campinas, Luiz Guilherme Fabrini. 

Mais medidas. A Sanasa informou que troca 123 quilômetros de rede por ano, mas pretende chegar a 140 km. De acordo com a empresa municipal, a cidade é que tem o menor índice de perdas no País - 19,2%. 

Entre outras ações anunciadas, está a criação de um programa de pagamento por serviços ambientais que prevê incentivos fiscais para pequenos proprietários, como mata ciliar. Além disso, a prefeitura vai tornar mais rigorosa a lei contra o desperdício de água.

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