Tiago Queiroz/Estadão
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Campinas quer usar esgoto tratado direto na rede de distribuição

Sanasa fechou acordo com o centro de reúso da USP, que vai estudar a melhor forma de tornar a água potável

Lucas Sampaio, ESPECIAL PARA O ESTADO

12 Fevereiro 2015 | 23h56

CAMPINAS - Após anunciar, em outubro, que seria a primeira cidade do Brasil a usar indiretamente esgoto tratado no abastecimento humano, Campinas, no interior paulista, pretende jogá-lo na rede de distribuição, em vez de misturá-lo ao leito do rio.

Para isso, a Sanasa (empresa de água e esgoto do município) fechou acordo com o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), da Universidade de São Paulo (USP), que vai estudar a melhor forma de tratar a água de reúso que sai da estação produtora da companhia e torná-la potável.

“O estudo vai ser sobre qual método e tratamento é adequado para fazer a recarga direto na rede”, diz Marco Antônio dos Santos, diretor técnico da Sanasa. O contrato ainda não foi assinado e o valor não foi divulgado, mas a previsão é de que o estudo fique pronto em seis meses. 

Diretor do Cirra e doutor em Engenharia Sanitária pela Universidade da Califórnia e em Saúde Pública pela USP, o professor Ivanildo Hespanhol esteve em Campinas nesta semana e será responsável pelo estudo. Procurado, o Cirra confirmou o acordo, mas disse que Hespanhol não estava disponível nem autorizado a falar sobre o projeto.

Não existe no Brasil legislação para usar a água de reúso tratada no abastecimento humano. “A portaria 2.914 não diz de onde tem de vir a água potável. Diz quais são as características que deve ter, não importa de onde ela venha”, afirma Santos, citando a portaria 2.914/2011, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre qualidade da água para consumo humano. “Vamos seguir o padrão da portaria.”

O líquido vai sair da Estação Produtora de Água de Reúso (Epar) Capivari II, que tem capacidade para tratar 360 litros de esgoto doméstico por segundo e transformá-lo em água de reúso não potável, com 99% de pureza, segundo a Sanasa.

Mudança. A ideia inicial era lançar a água produzida pela estação no Rio Capivari e fazer a captação na sequência para, então, tratar o líquido novamente e servi-lo à população. “Vamos pular essa parte e fazer a recarga direto na rede”, diz Santos. “Se jogar a água (de reúso) no rio a gente vai sujá-la, porque a qualidade (da água) é muito pior.”

Campinas passou a buscar soluções para enfrentar a seca após a Sanasa ter dificuldades para abastecer a população em 2014. A companhia capta água direto dos Rios Atibaia e Capivari para abastecer a população de 1,15 milhão de habitantes.

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