Campinas: Grella não descarta ação de PMs em chacina

Secretário estadual da Segurança Pública de São Paulo disse ontem que o esclarecimento do caso 'é prioridade de governo'

Ricardo Brandt / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2014 | 02h01

O secretário estadual da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, esteve nessa terça-feira, 14, em Campinas para dizer que o esclarecimento das 12 mortes em sequência no início desta semana "é prioridade de governo". Ele defendeu a atuação da Polícia Militar, mas não descartou o envolvimento de policiais nos crimes.

O latrocínio do PM Arides Luis da Costa, de 44 anos, é a principal linha de investigação da força-tarefa montada pela Secretaria da Segurança. Suspeita-se que policiais tenham executado a chacina para tentar vingar-se dos assassinos ou de seus familiares - ou para dar uma "demonstração de força nas ruas". Mas a Polícia Civil também trabalha com a hipótese de que os dois suspeitos que mataram o soldado de folga, em uma tentativa de roubo, não estão entre as 12 vítimas.

Com idade entre 17 e 30 anos, os mortos foram executados com tiros na cabeça e no peito por homens encapuzados. "Nenhuma hipótese está descartada. A Polícia Militar tem relevantes serviços prestados à comunidade e cerca de 90 mil homens. Portanto, uma instituição com esse tamanho pode sim, eventualmente, ter pessoas que tenham desvios", afirmou Grella. "Por ora é cedo para afirmar qualquer coisa, não temos os laudos e estamos ouvindo as testemunhas. A polícia não vai descansar enquanto esse caso não for esclarecido, é compromisso de governo."

Vídeo. Para ajudar nas investigações, a polícia divulgou ontem as imagens do assassinato do policial no posto de combustível, quando ele tenta desarmar os dois assaltantes, entra em conflito com um deles e leva um tiro na cabeça.

Segundo o secretário, as imagens foram divulgadas para que a população forneça informações, por meio do disque-denúncia, sobre os acusados. "Pelo perfil das pessoas, quem as conhece poderá identificar." As imagens das câmeras de segurança do posto mostram os dois criminosos de capacete e, depois, saindo de lado com as cabeças descobertas.

Uma irmã de uma das vítimas, que pediu para não ter o nome divulgado, afirmou ao Estado que no bairro Vida Nova, onde 5 dos 12 mortos foram executados, a informação é de que os envolvidos no latrocínio do policial não estão entre os mortos. A Polícia Civil também vai apurar o fato de a PM não ter comparecido ao local de alguns dos assassinatos. A maioria das ocorrências foi atendida pela Guarda Municipal. Questionado, o secretário afirmou que o fato "também é objeto das investigações". "Tem de ser esclarecido, para que, se for confirmado, possamos tomar providências", afirmou.

Extermínio. O ouvidor das polícias do Estado, José César Fernandes Neves, reforçou as suspeitas de envolvimento de PMs nos assassinatos. Ele esteve ontem em Campinas acompanhando o enterro de uma das vítimas e conversou com familiares. "Os depoimentos indicando a existência de um grupo de extermínio reforçam essa suspeita de envolvimento de policiais", afirmou Neves.

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