André Dusek/AE
André Dusek/AE

Campanha na TV vai ensinar 'mãozinha' para pedestres

Propaganda deve ser estrelada pela cantora Wanderléa e pretende mostrar à população a importância do gesto

CAIO DO VALLE, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2012 | 03h04

Lançado no ano passado pela Prefeitura, o gesto do pedestre não "pegou" na cidade de São Paulo. Por desconhecimento ou timidez, as pessoas ainda não o utilizam para indicar aos motoristas que desejam atravessar nas faixas sem semáforo. Agora, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) pretende lançar uma campanha na TV para estimular o uso do sinal, que consiste em esticar, da calçada, o braço à frente do corpo, revelando aos condutores a intenção da travessia naquele local.

Prevista para começar em duas semanas, a ofensiva publicitária terá o objetivo não apenas de apresentar o gestual à população, mas de fazer com que quem já o conhece não tenha vergonha de aplicá-lo. Para isso, uma personalidade será vista nos comerciais ensinando a fazê-lo. Quem explica é Ricardo Furriel, diretor de criação da agência contratada para a ação. "Usaremos o recall de uma pessoa muito conhecida e querida do público."

Ele não revelou quem é essa celebridade, dizendo apenas se tratar de um cantor "da antiga geração", da "turma" do Roberto Carlos. A reportagem apurou que deve ser Wanderléa. "Estamos acreditando muito nesse resgate da memória coletiva e da empatia com pessoas bacanas, que podem dar uma mensagem que parece chata de uma maneira simpática e agradável", diz Furriel.

Problema cultural. Além da celebridade, no material aparecerá o personagem homem-faixa, protagonista de outros esquetes publicitários do programa de proteção aos pedestres.

O gesto chegou a ser oficializado em portaria assinada pelo secretário municipal dos Transportes, Marcelo Cardinale Branco. No início da campanha pelo respeito a quem anda a pé nas ruas, no ano passado, a pasta tentou difundi-lo, mas não teve sucesso. Segundo o próprio governo, faltaram inserções na televisão.

Na avaliação da superintendente de Educação e Segurança da CET, Nancy Schneider, ainda há um "problema cultural" na cidade, que inibe a utilização do gesto. "Tem um número grande de pessoas que não se convenceu de seus direitos de atravessar." Segundo ela, há um costume arraigado do pedestre de parar na faixa e esperar uma brecha entre os veículos para conseguir cruzar.

A iniciativa do gesto, afirma Nancy, foi trazida de Brasília, onde um projeto parecido foi lançado na última década. "Lá, agora, nem precisa mais. Quando você para na guia, o motorista respeita. Acredito que chegará o momento em que aqui também não haverá mais necessidade do gesto", diz a superintendente.

Mas há quem desconfie da segurança total da medida. O presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraspe), Eduardo José Daros, diz que o gesto só deve ser praticado em circunstâncias muito específicas: na faixa, quando o veículo ainda estiver a uma distância que possa parar e onde não há semáforos. "A pessoa não pode achar que só por ter feito o sinal pode ir se atirando no trânsito."

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