Campanha contra atropelamento rende 728 multas por dia

De 8 de agosto (quando o programa começou) até 30 de dezembro, foram 106 mil autuações - 31 mil por avançar o sinal

CAIO DO VALLE , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2012 | 03h02

O programa de proteção ao pedestre na cidade de São Paulo fechou 2011 com 106 mil multas a motoristas que não respeitaram os direitos de quem estava a pé na rua. O número se refere a autuações aplicadas entre 8 de agosto, data a partir da qual a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) intensificou a fiscalização, e 30 de dezembro. No período, houve uma média de 728 multas diárias.

Não dar a seta para dobrar a esquina foi a infração mais comum, anotada 40.585 vezes pelos agentes de trânsito. Em seguida, figuram o avanço do semáforo vermelho e o desrespeito a pedestres nas faixas a eles destinadas - como, por exemplo, não esperá-los concluir a travessia. Essas duas infrações renderam, respectivamente, 31.604 e 29.552 autuações.

Por último, está a infração cometida por quem para o veículo sobre a faixa de pedestre. Essa prática resultou na anotação de 4.580 multas, segundo os dados da CET.

Toda a cidade. A campanha pela maior atenção dos condutores a quem anda a pé em São Paulo começou em maio, na região central. Inicialmente, tinha um caráter educativo. Três meses depois, iniciou-se na mesma área a fiscalização intensiva de infrações que põem em risco a integridade dos pedestres. Em setembro, a aplicação das multas foi levada para toda a cidade.

Contudo, números da própria CET divulgados em dezembro revelaram que o programa não foi suficiente para reduzir os atropelamentos em vias perigosas da periferia, como a Avenida Sapopemba, na zona leste, e a Avenida do M'Boi Mirim, na zona sul. Por causa disso, o órgão vai intensificar, a partir deste mês, a campanha nesses locais.

Já as mortes por atropelamento têm caído na capital, segundo a CET, o que pode ser um reflexo positivo do programa. Entre 11 de maio e 30 de setembro de 2011, 222 pessoas morreram atropeladas na cidade, 10% menos do que em igual período do ano anterior.

Prioridade. A infração mais multada por oferecer risco à vida de pedestres é a da seta desligada em conversões. Na soma dos quase cinco meses em que essa infração passou a ser fiscalizada com mais rigor, o número de multas anotadas corresponde a meros 20% da quantidade de autuações aplicadas pelo furo do rodízio só em novembro, 195.024.

Para o consultor de tráfego Flamínio Fichmann, a prioridade da CET precisa ser outra na fiscalização. "O primeiro critério deveria ser o de diminuir o risco de acidentes. O que significa priorizar multas relacionadas a infrações letais, como passar o farol vermelho. As multas de caráter quase administrativo, como a do cartão de Zona Azul, só deveriam vir depois."

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