Campanha combaterá turismo sexual na Copa de 2014 no Brasil

ONGs anunciam em Paris plano contra abuso de crianças e adolescentes brasileiros em eventos esportivos; 'Não Desvie o Olhar' começa em 2013

ANDREI NETTO / PARIS , CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2012 | 03h05

Organizações não governamentais da Europa anunciaram ontem, em Paris, que vão realizar uma campanha internacional contra o turismo sexual e a exploração de crianças e adolescentes no Brasil a partir de 2013. O objetivo da iniciativa, bancada com recursos da União Europeia, é minimizar os efeitos negativos da invasão estrangeira ao País durante três eventos: a Copa das Confederações, no próximo ano, a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

A campanha terá ênfase em Estados menos desenvolvidos e mais suscetíveis à exploração sexual, em especial de menores de idade. O tema preocupa as ONGs, a União Europeia e o governo brasileiro. Reunidos ontem, em uma conferência intitulada Turismo Sexual Implicando Crianças e Grandes Eventos Esportivos, as organizações da França e do Brasil advertiram para o risco de explosão dos casos de exploração, caso nada seja feito para preveni-los.

Associadas, as ONGs End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purposes (Ecpat France) e Fondation Selles lançarão no próximo ano a campanha "Não desvie o olhar", que será divulgada em dez países da Europa e em quatro da África. Realizada em parceria com redes hoteleiras e companhias aéreas, a iniciativa não terá apenas foco na conscientização, mas também no combate ao crime. "O aspecto da repressão e da denúncia é novo para nós, mas é muito importante", reconheceu Philippe Galland, coordenador de programas da Ecpat France.

Julgamento. Organizadores da campanha ponderam que não há elementos científicos suficientes para estabelecer o vínculo entre grandes eventos esportivos e o aumento da prostituição infantil e do turismo sexual. Mas investigações de polícia realizadas durante a Eurocopa 2012, com sede na Polônia e na Ucrânia, identificaram o aumento da atividade de redes criminosas que exploram o sexo.

Com base nessa constatação, as ONGs vão advertir os turistas sobre o fato de que podem ser julgados em seus países de origem, uma vez que crimes sexuais se enquadram em acordos internacionais. "Um turista flagrado poderá ser julgado na França por um crime cometido no Brasil", diz o jurista Yves Charpenel.

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