Campanha antirrábica muda após efeitos colaterais de vacina

Donos relatam reações adversas em cachorros pequenos e gatos. Fêmeas prenhes não são mais imunizadas

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

Cachorros pequenos e gatos estão apresentando reações adversas intensas depois de tomarem a vacina antirrábica da campanha da Prefeitura de São Paulo. A morte de um felino na zona leste, supostamente em decorrência da imunização, está sendo investigada pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

O órgão admite o problema e diz que não divulga o número de ocorrências porque está fazendo uma estatística dos casos. A vacinação, que começou dia 16, já imunizou 80 mil animais.

A recomendação do CCZ é que os donos fiquem tranquilos e continuem a levar seus animais para vacinar. A única mudança na campanha é que fêmeas à espera de filhotes não estão sendo imunizadas. Em Guarulhos, a prefeitura suspendeu a vacinação depois que 38 bichos passaram mal e três morreram.

Segundo donos de felinos que tiveram reações à vacina, os animais apresentaram sonolência excessiva, prostração, vômito, náuseas, falta de apetite, febre e dificuldades de locomoção que duraram até três dias depois de receber a medicação.

As vacinas são fornecidas pelo Ministério da Saúde. Neste ano, está sendo usado um tipo diferente da utilizada em outras campanhas. Segundo o ministério, Estados do Nordeste e os que fazem fronteira com a Bolívia aplicaram a vacina com essa tecnologia em 2009 e não tiveram problemas.

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), fabricante do produto, explicou que reações podem ocorrer em 30% dos vacinados. Os casos de óbitos são bem mais raros: 0,01%. O instituto informou ainda que os gatos são mais sensíveis.

"Estamos acompanhando tudo de perto", garantiu a veterinária Ana Claudia Furlan Mori, gerente do CCZ de São Paulo.

Angela Caruso, presidente da ONG Quintal de São Francisco e do Fórum de Proteção Animal, tem dúvidas. "O CCZ nos garantiu que está acompanhando os casos, mas na prática sabemos que eles não têm infraestrutura para isso."

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