Caminhoneiros param chegada de combustível a SP

Sindicato de autônomos bloqueia centros de distribuição contra as restrições a caminhões na Marginal do Tietê; estoque geral é de 24h

Bruno Ribeiro e Nataly Costa - O Estado de S. Paulo,

05 Março 2012 | 23h28

SÃO PAULO - No primeiro dia de multas da restrição a caminhões na Marginal do Tietê e em outras 25 vias de São Paulo, motoristas autônomos bloquearam centros de distribuição de combustível da Região Metropolitana, deixando a capital paulista sem receber combustível. Alguns postos da capital e da Grande São Paulo já ficaram sem gasolina, álcool e diesel para vender e o estoque na cidade só deve durar mais 24 horas.

A paralisação na distribuição de combustível é orquestrada pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Bens Autônomos do Estado de São Paulo (Sindicam-SP), entidade que representa os autônomos - aqueles que trabalham com o caminhão próprio, sem vínculo empregatício com empresas.

A restrição imposta pela Prefeitura à carga vale de segunda a sexta-feira, das 5h às 9h e das 17h às 22h; aos sábados, das 10h às 14h. Ontem, caminhoneiros promoveram um buzinaço após as 22h, para marcar o fim do horário de restrição. A entidade diz que só vai manter o fornecimento para serviços essenciais, como bombeiros e polícia.

Os ônibus que fazem o transporte público intermunicipal também podem sofrer com a greve. O SPUrbanus fez um levantamento com as concessionárias que prestam serviços e concluiu que os estoques de combustível nas garagens só duram até quarta-feira, 7. Segundo a entidade, a maior parte das empresas recebeu a última carga hoje.

Negociação. Hoje, os caminhoneiros haviam prometido parar veículos nas principais vias da cidade, mas a ameaça não se concretizou. Pela manhã, um grupo tentou fechar um dos pontos da Via Dutra, mas a Polícia Militar negociou o fim da manifestação, que acabou em alguns minutos.

O Sindicam afirma que procurou ontem a Secretaria Municipal de Transportes para voltar a negociar com a Prefeitura. A secretaria ficou de estudar as reivindicações da categoria, mas sem agendar um encontro, segundo o Sindicam. A Prefeitura havia feito reuniões semanais com o sindicato - e outras entidades do setor - antes de as multas começarem a ser aplicadas.

Apesar de admitir negociar as restrições nas demais vias, caminhoneiros querem que a Marginal do Tietê fique fora do pacote de restrições por causa da importância da via na ligação dos grandes centros de distribuição no Ipiranga (zona sul), Guarulhos e Barueri com os postos da capital e da Região Metropolitana. Quando restrições semelhantes foram adotadas na Marginal do Pinheiros e na zona sul, as queixas foram menores, porque não atingiam os grandes centros e havia alternativas, como o Rodoanel Sul.

Rodoanel. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, que representa os postos de gasolina, acredita que, se existisse o Rodoanel Norte, o problema seria minimizado. "Como levar combustível de Barueri para Arujá, Mogi das Cruzes? É só pela Marginal do Tietê."

Para Gouveia, o autônomo não pode arcar com o custo de dar uma volta por fora da cidade para não passar pela Marginal. "Imagina sair de Barueri, pegar o Rodoanel Sul, passar por São Caetano, São Bernardo, zona leste e Jacu-Pêssego para chegar a Guarulhos?".

Hoje, na frente do centro de distribuição da Avenida Almirante Delamare, no Ipiranga, trabalhadores monitoravam os acessos para que caminhões não saíssem da base. "Só vou poder usar meu caminhão metade do dia, mas vou pagar IPVA integral", reclamava Gilberto Rossi, de 46 anos. Ele não acredita que o Rodoanel Norte melhoraria a situação. "É pensado para quem é de fora da cidade."

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