Caminhoneiro na contramão mata um e fere um em Campinas

Motorista foi preso e responderá por homicídio culposo, lesão corporal culposa e embriaguez ao volante

Tatiana Fávaro, Agência Estado

23 de julho de 2008 | 19h24

Um acidente grave na rodovia Adalberto Panzan, ligação das rodovias Anhangüera e Bandeirantes, em Campinas (a 95 quilômetros de São Paulo), deixou uma pessoa morta e outra gravemente ferida na noite de quarta-feira, 23. O motorista Romilson Barbosa Correa, 37 anos, que dirigia um caminhão na contramão na interligação das rodovias, foi preso e responderá por homicídio culposo, lesão corporal culposa e embriaguez ao volante.   Veja também: Os efeitos do álcool e os limites da Lei Seca  Lei seca tem aprovação de 72% em São Paulo  Entenda os principais pontos da Lei Seca    Segundo informou o tenente Glauco César Costa de Oliveira, da Polícia Militar Rodoviária, o acidente ocorreu por volta de 18h50, no quilômetro 4 (sentido Capital) da interligação. De acordo com informações da Autoban, concessionária do sistema rodoviário naquela região, o motorista chegou a parar o veículo no quilômetro 6 (sentido Interior). Um motorista que passava pelo local avisou a concessionária que o caminhão estava parado em uma das três pistas da rodovia às 18h34.   A empresa acionou seus supervisores de tráfego e a Polícia Militar Rodoviária. Ás 18h47, a supervisão de tráfego da Autoban localizou o caminhão a 300 metros do local em que havia parado, já no sentido contrário.   "Trabalhamos, portanto, com a hipótese de o motorista ter parado o veículo e voltado na contramão", afirmou o tenente. Correa bateu com o caminhão no primeiro carro, um Gol, no quilômetro 4,4 (sentido Capital), onde estava a primeira vítima, Dirceu Domingues, 44 anos, que morreu no local.   O segundo veículo, um Clio, foi atingido segundos depois. O motorista do carro Adenilson Barbieri, 33 anos, teve uma fratura no fêmur. Levado ao hospital Celso Pierro, permaneceu em estado estável, segundo informou a assessoria de imprensa do hospital, e passou por uma cirurgia no fim da tarde. Um amigo da família de Dirceu Domingues que pediu para não ser identificado disse que os parentes estão revoltados, mas ainda não decidiram se vão ou não procurar a Justiça.   Uma testemunha disse à Polícia Rodoviária que Correa desceu do caminhão após o acidente reclamando que os carros estavam na contramão. O tenente Glauco Oliveira informou que o motorista estava visivelmente embriagado, mas não se opôs a fazer o teste do bafômetro. O nível do aparelho marcou 1,3mg. O nível estipulado para a aplicação de multa é entre 0,14mg e 0,32mg. "Acima de 0,32mg, o motorista vai preso. Mas ele (Correa) ainda foi levado para o Instituto Médico Legal para fazer exame de sangue."   O delegado do 4º Distrito Policial, Cláudio Alvarenga, fixou o valor máximo para a fiança de Correa, isto é, R$ 1.200,00. A nova legislação (Lei Seca) prevê pagamento de multa, sete pontos na carteira de habilitação e suspensão do direito de dirigir por um ano àqueles que forem flagrados com dosagem superior a dois decigramas de álcool por litro sangue (o equivalente a dois bombons de licor). Se a dosagem for superior a seis decigramas por litro de sangue (dois copos de cerveja), o condutor pode ficar de seis meses a três anos detido.   Correa voltava de Valinhos para a transportadora Rodo Import, em Campinas, no momento do acidente. O diretor do departamento de Recursos Humanos da Rodo Import, José Luis Francisco, informou que o funcionário foi demitido por justa causa e que a empresa se responsabilizará pelos danos materiais causados às famílias das vítimas. Segundo Francisco, essa foi a primeira vez em que um motorista da empresa - no ramo há 13 anos - se envolve em um acidente desse tipo. "Assim que soube do acidente falei com a mulher dele (Correa) e ainda perguntei se ela percebia que ele bebia e ela me disse que havia três anos que ele não se aproximava da bebida, pois estava fazendo um curso de teologia", disse.

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