Caminhões trocam dia pela noite e aumentam o risco de acidentes

São 21 horas e poucos minutos na pista expressa da Marginal do Tietê, e um caminhão-tanque e outro de carga parecem apostar corrida a cerca de 90 km/h. Um tenta ultrapassar o outro, sem nenhum respeito às leis de trânsito, enquanto vários outros caminhões também disputam lugar nas cinco faixas da via.

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Essa cena pode ser vista agora diariamente nas marginais e em outras vias expressas de São Paulo, colocando em risco motoqueiros, motoristas e os próprios caminhoneiros que passam por ali à noite.

Desde que foi anunciada a restrição de caminhões das 5h às 21h, diversos caminhoneiros estão preferindo trafegar à noite, quando já não há trânsito e quando não há um único agente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para flagrar irregularidades. Assim, os caminhões andam livremente a 90 km/h, cortando carros e motos, usando a pista da esquerda e praticamente apostando corrida entre si. Também é possível ver diversos "bolsões" de caminhões nas entradas da Marginal do Pinheiros esperando o primeiro minuto das 21h para trafegar sem problemas.

"Isso acontece porque fica mais barato para os caminhoneiros, que podem andar pelas marginais e fazer um percurso mais curto, além de não pagar pedágio no Rodoanel", diz Manoel Sousa Lima, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo.

As próprias empresas de transporte querem investir no transporte noturno - isso porque elas não precisariam comprar novos caminhões, só contratar um novo turno de motoristas. "A circulação dos caminhões poderia ser feita só à noite, até para ajudar a logística de abastecimento da capital", diz Lima.

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