Caminhões lotam Castelo à espera de fim de horário de restrição na Marginal

Trânsito antes diluído durante toda a manhã agora se concentra na estrada a partir das 9 horas; congestionamento já chega ao km 41

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h01

A restrição ao tráfego de caminhões na Marginal do Tietê agravou os congestionamentos e tornou mais difícil a chegada a São Paulo para quem segue do interior pela Rodovia Castelo Branco. Com a proibição do trânsito de veículos pesados na via paulistana entre as 5h e as 9h e das 17h às 22h nos dias da semana, desde março deste ano os caminhões permanecem na rodovia à espera do horário liberado e seguem em comboios para a capital.

Os congestionamentos diários, que antes não se estendiam além do km 28, já chegam ao km 41, perto de Araçariguama. Motoristas perdem até uma hora para percorrer um trecho de apenas 25 quilômetros de estrada. A restrição vale desde o dia 5 de março para a Marginal e outras 25 vias da cidade.

Na tentativa de avançar em direção a São Paulo, os caminhoneiros usam até a faixa da esquerda, exclusiva para veículos leves. O que muitos não sabem é que a Polícia Rodoviária Estadual está usando as imagens das câmeras de monitoramento da concessionária CCR ViaOeste para aplicar multas. Já são autuados mais de 500 veículos por mês.

O motorista autônomo Rafael Carlos de Moura recebeu notificação de multa no valor de R$ 85,12 e quatro pontos na carteira de habilitação. O documento tem a foto do veículo na faixa da esquerda. Ele disse que fez a manobra para evitar uma colisão, mas não entrou com recurso, pois não tinha como provar a alegação. "Está cheio de carro na estrada, mas é sempre o caminhão que paga o pato", disse.

O engenheiro Ângelo Vargas, que se desloca diariamente de Sorocaba para São Paulo, diz que a restrição aos veículos pesados melhorou um pouco o trânsito na Marginal, mas criou um gargalo na rodovia. "Já se anda um pouco melhor na Marginal do Tietê, mas chegar até lá passou a ser um problema."

Na segunda-feira da semana passada, dia 13, o trânsito na Castelo Branco parava na altura do km 38, em Santana de Parnaíba. O carro da reportagem levou 55 minutos para chegar até o Cebolão, no km 13. Na quarta-feira, o fim da fila estava no km 41 e foi possível percorrer apenas oito quilômetros em 30 minutos. O trânsito melhorava um pouco após o km 25.

Quarta faixa. A CCR ViaOeste está construindo a quarta faixa na Castelo, no sentido São Paulo, na tentativa de melhorar o fluxo de veículos, mas o projeto esbarrou na questão ambiental. Na altura do km 26, em Barueri, seria preciso cortar algumas árvores para o alargamento da pista e a obra, que vai do km 24 ao 28, pulou esse trecho, que permanece mais estreito.

De acordo com o gestor de Operações Renato Caldo, a eliminação do gargalo depende de uma licença ambiental que está em vias de ser concedida. A empresa espera retomar a obra até o início de novembro e conclui-la em 90 dias.

Enquanto a quarta faixa não é concluída, a Viaoeste negocia com a Polícia Rodoviária o uso do acostamento para o tráfego nos horários de pico. Segundo Caldo, com a restrição na Marginal do Tietê, o tráfego de caminhões que se diluía ao longo da manhã agora fica concentrado no período que antecede a liberação de entrada na via paulistana.

Para conter os abusos, a concessionária franqueou à polícia as imagens das câmeras de monitoramento transmitidas para o Centro de Controle Operacional. Os policiais rodoviários veem o filme e, quando flagram caminhão ou ônibus na faixa da esquerda, congelam a imagem e usam a foto para emitir a multa.

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