Caminhões levam caos às ruas da zona norte de SP

Veículos pesados fogem da Marginal, invadem vias locais e estacionam até fim da restrição

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

09 Março 2012 | 03h04

A Rua Prefeito Milton Improta, na Vila Maria, zona norte de São Paulo, tem casinhas coloridas, árvores e calçadas bem conservadas pelos moradores. É onde a doceira Sebastiana Vieira, de 65 anos, mora há quatro décadas. Na frente da sua casa, um caminhão vermelho enorme começa a destoar da paisagem. "A gente não tem mais sossego nem para ver novela. É um barulho, eles passam quebrando as árvores", contou Sebastiana.

Com a proibição do tráfego de caminhões na Marginal do Tietê e em outras 25 vias das 5 às 9 horas e das 17 às 22 horas, bairros como Vila Maria, Vila Medeiros, Tucuruvi e Parada Inglesa agora são rotas alternativas para os veículos pesados, que também estacionam nas ruelas para esperar o término do horário da restrição.

Na rua de Sebastiana ela não é a única prejudicada. "A vizinha, coitada, colocou dois cones na frente do portão para eles não pararem lá e bloquearem a entrada. Nem garagem respeitam."

O que tem ocorrido na zona norte é semelhante ao que foi visto na zona sul, em setembro de 2010: a proibição de caminhões na Marginal do Pinheiros e outras vias do entorno levou caminhões para as ruas do Morumbi.

O problema fez a Prefeitura ampliar as restrições a várias ruas daquele bairro, como as Avenidas Jorge João Saad e Giovanni Gronchi. Mesmo assim, os caminhões continuaram a encontrar caminho pelas vias menos movimentadas do bairro.

A zona norte também tem vias com proibição ao tráfego de caminhões, como a Avenida General Edgar Facó. Por isso mesmo, as ruas vicinais agora são a melhor opção para os caminhões.

"Na minha rua agora passa caminhão que leva os retrovisores dos carros. Os buracos só aumentam, o bairro não tem estrutura para isso", disse o consultor financeiro Luciano Freitas, de 43 anos. Ele mora em uma rua estreita na Vila Medeiros, a José de Almeida, onde mal dá para passar um carro.

"Até para levar as crianças na escola está difícil, porque as ruas principais estão engarrafadas. Agora quem tem de fazer caminho alternativo sou eu", disse Freitas.

Mudança. Boa parte dos caminhões que circulam pelas ruas estreitas da zona norte vem da Via Dutra e da Rodovia Fernão Dias. À noite, saem da Marginal antes das 17 horas e começam a circular pelos bairros até conseguir chegar às rodovias novamente, fugindo da restrição.

Os caminhoneiros que fazem mudança só têm motivos para reclamar. "Pela Marginal não pode. No bairro o pessoal reclama. Aí a gente acorda às 5 horas para trabalhar e fica adiando a viagem. E tem de ficar parado nas ruas mesmo, porque os postos de carga são muito pequenos para tanto caminhão", contou o caminhoneiro Roque Fernandes Silva, de 49 anos.

Estradas. Para quem usa a Dutra, o trânsito do começo da manhã ficou mais difícil na chegada à capital. Às 8h30, uma fila de caminhões se forma no acostamento da rodovia e nas ruas laterais, na altura do Parque Novo Mundo, zona norte. Os caminhoneiros seguem para a Marginal depois das 9 horas. "O trânsito na Dutra nunca foi bom, mas agora está difícil chegar a São Paulo às 9 horas, 9h30. Melhor sair mais cedo", disse a publicitária moradora de Taubaté Maria Fernanda Lopes, de 38 anos.

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