Caminhões evitam novo Rodoanel à noite

Sindicato recebe relato de ataques com pedras no km 29 do Trecho Sul

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

 

 

O Trecho Sul do Rodoanel completa um mês hoje e os caminhoneiros que seguem para o Porto de Santos comemoram a possibilidade de poder planejar o tempo da viagem, a economia de combustível e principalmente a diminuição do estresse. Mas esses profissionais já advertem: à noite, cortar São Paulo ainda é a melhor opção, pois a nova pista pode ser perigosa.

O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos da Baixada Santista (Sindicam), José Luiz Ribeiro Gonçalves, recebeu pelo menos cinco denúncias de caminhoneiros atingidos por pedras jogadas de cima da passarela do km 29, por exemplo. "Daí o cara pensa: "Se eu parar, vou ser assaltado". E com isso já começou a se discutir se vale a pena passar por lá depois das 19 horas. São reclamações pontuais, mas precisa de mais fiscalização naquela área", relata.

O caminhoneiro Elias Guedes Junior, de 31 anos, relata que não utiliza o Rodoanel após as 22 horas. "Não tenho coragem, existem uns trechos muito abandonados, cheios de favela, tenho medo de ladrão e a essa hora compensa passar pela Bandeirantes", comenta. Ele transporta açúcar do interior paulista para o terminal portuário da Cosan.

Procurada, a Secretaria de Estado dos Transportes respondeu que não há registros criminais no Trecho Sul. "E, independentemente da ausência de registros, o Policiamento Rodoviário realiza ações de prevenção a ilícitos penais."

Melhora de humor. Neste primeiro mês de operação, Guedes relata que nunca pegou trânsito no Rodoanel. Ele costuma percorrer os 61,4 quilômetros em uma hora. "Anteriormente, passando por São Paulo, poderia demorar 40 minutos, mas já peguei até quatro horas de trânsito", afirma. Com a economia de tempo no trajeto, Guedes ainda conseguiu realizar duas viagens a mais no último mês e com isso aumentou a renda - de cerca de R$ 2 mil - em R$ 400. "Fora o estresse que diminui por não ter de cortar São Paulo. Essa é a melhor parte."

Com 64 anos de idade e 42 de estrada, o caminhoneiro Mario Bartnikoviski também gostou do Rodoanel, mesmo sentindo mais diferença no humor que no bolso. Transportando soja de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para o porto, por 2.200 quilômetros, ele continua fazendo as mesmas duas viagens mensais e com isso não teve a renda aumentada. Mas agora se livrou do trânsito da capital. "Cada ano que passa, aumenta o congestionamento e os motoristas estão ficando cada vez mais mal educados. Em São Paulo, ninguém dá seta, já vão jogando o carro para cima de você."

Custo de manutenção. Entretanto, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Marcelo Rocha, acredita que mesmo os motoristas que realizam viagens mais longas daqui a um tempo vão perceber a economia trazida pelas pistas novas. "Além da economia de óleo diesel, ganhamos com a manutenção geral do motor. Na estrada ainda se gasta menos óleo de motor e embreagem", afirma, lembrando que a Associação Nacional de Transporte de Carga e Logística está preparando um estudo que mostrará os benefícios que o Rodoanel trouxe para o setor.

Autônomo, o caminhoneiro João Bernardo, de 41 anos, transporta contêineres em diferentes rotas e, por isso, não consegue contabilizar os ganhos que a obra trouxe em um mês. "Mas a longo prazo vai dar para sentir a diferença na manutenção. Para mim, o bom de agora é que posso prever exatamente o tempo da viagem", comenta.

Além de caminhoneiro há 34 anos, Pedro da Costa, de 56 anos, se considera um bom cozinheiro e já comemora as horas que ganhou para chegar ao porto, depois da longa viagem de Anápolis (GO), onde carregou soja, até o estacionamento de Cubatão. "Hoje tem arroz, picadinho de carne e batata frita", destaca, com tempo para a refeição.

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