Caminhões e medo da chuva já fazem trânsito de manhã ser pior que à tarde

Uma imagem tradicional dos congestionamentos em São Paulo são as luzes dos freios dos automóveis iluminando as vias já escuras à noite. Mas a cidade de quase 7 milhões de veículos vive uma inversão histórica na dinâmica do trânsito. Pela primeira vez, motoristas já enfrentam mais engarrafamentos no horário de pico da manhã - entre 7 e 10 horas - que no fim de tarde e começo da noite.

Renato Machado e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

23 Março 2011 | 00h00

 

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Levantamento feito pelo Estado com base nos boletins de trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostra que, desde o fim de janeiro - após as férias escolares, período em que o trânsito é atípico -, o índice médio de lentidão pela manhã esteve em 70,3 quilômetros, ante 66,7 km da tarde.

Esta é a primeira vez em que se inverte a tendência. Historicamente, o pico do fim da tarde - das 17h às 20h - sempre havia sido mais problemático.

Nesse período também foram registrados recordes de congestionamento da cidade, como os 293 km - mais de dez vezes a extensão da Marginal do Tietê - em 10 de junho de 2009. E as médias de lentidão mais altas da cidade. No ano passado, por exemplo, ela ficou em 115 km no fim do dia, ante 83 da manhã. O período tarde / noite também foi o pior em 2007, 2008 e 2009.

Fevereiro deste ano foi o primeiro mês em que houve essa mudança, com o pico da manhã maior que o da tarde, registrando respectivamente 67 e 66 kms. A diferença aumentou ainda mais neste mês - até anteontem, a média esteve em 77,8 km pela manhã e exatos 70 km à tarde. A diferença seria ainda maior se não fosse a saída para o feriado de carnaval, que parou São Paulo em uma sexta-feira à noite.

A CET aponta como uma das causas do trânsito da manhã a permissão para a circulação de caminhões na região do centro expandido. Esses casos figuram como "exceção" às restrições - como as proibições na Marginal do Pinheiros e Avenida dos Bandeirantes - e se concentram antes do meio-dia. Veículos com alimentos perecíveis, por exemplo, podem circular até as 12 horas. Outro exemplo são os caminhões que servem as obras.

"Além disso, o comportamento do trânsito nos primeiros meses do ano sofre influência da posição do feriado de carnaval e da maior incidência de chuvas", informou a CET, por meio de nota.

Alagamentos. As chuvas estão relacionadas ao medo dos alagamentos no fim de tarde, que tem feito paulistanos anteciparem seus afazeres para o período da manhã. "Isso vale para as viagens eletivas, não para as obrigatórias, como o trabalho. Não é o fator principal, mas tem um peso", diz o especialista em transportes Sérgio Ejzenberg.

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