'Caminhão de lixo não é para morador de rua'

O local de concentração dos moradores de rua na Mooca fica ao lado de um depósito de cimento, onde caminhões chegam e saem a todo instante. Os sem-teto desempregados passaram a montar barracas de lona ao lado da ponte e sobre as calçadas para fazer bico e ganhar uns trocados carregando sacos pesados do material. A poucos metros ao lado, existe uma tenda municipal para moradores de rua, serviço que funciona como centro de convivência para essa população.

O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2013 | 02h08

As seguidas operações na cracolândia também empurraram muito mais gente para essa região. A situação chegou a ficar tensa a ponto de um morador da vizinhança postar em seu Facebook que iria atirar nos moradores de rua que estivessem acordados, e queimar aqueles que estivessem dormindo. "Eu levei a situação para o secretário de Segurança Pública (Fernando Grella Vieira). A pessoa foi chamada para esclarecer a situação e retirou a ameaça", diz o padre Julio Lancellotti, Vigário para o Povo da Rua, que atua na região.

A presidente do Conselho de Segurança Pari Brás (Conseg), Tânia Barbosa, acredita que as autoridades foram inábeis na maneira como passaram a lidar com a situação. "Não acho que moradores de rua devam ser tratados com caminhão de lixo", reclama Tânia. Ela não acha que a tenda municipal, que fica sob o Viaduto Bresser, deva ser fechada.

A secretária de Assistência Social, Luciana Temer, afirma que um novo equipamento vai ser aberto na região, só que com uma nova filosofia. Em vez de servir como centro de convivência, caso das atuais tendas, o serviço vai também encaminhar moradores de rua a outros serviços da rede de proteção social, como albergues e centros de saúde.

O subprefeito da Mooca, Francisco Carlos Ricardo, admite que moradores de rua são um tema complicado. Muitos passaram a ocupar as ruas da região e se recusam a ir para os abrigos e albergues. "Mas não admitimos violência nem que se levem os documentos e pertences pessoais", diz. O subprefeito afirma que, ao mesmo tempo, precisa garantir que o pedestre possa ir e vir pelas calçadas do bairro. "Não podemos admitir que se monte barracas na calçada."

Arbitrariedade. Nas operações, apesar das orientações, as arbitrariedades acabam sempre ocorrendo. Marcos Vinicius Marchini, de 33 anos, que foi para as ruas depois de chegar de Ribeirão Preto para trabalhar como porteiro, perdeu em uma batida policial carteira de trabalho, título de eleitor e RG. "Fui fazer BO e não deixaram porque eu não tinha documento. A situação é sempre mais difícil para o morador de rua", diz. / BRUNO PAES MANSO

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