Caminhão-baú pode ser usado como cela em Ribeirão Preto

Veículo usado na transferência de presos foi colocado à disposição da Polícia Civil da município paulista

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2008 | 17h41

Um caminhão-baú, usado para transferências de presos, foi colocado à disposição da Polícia Civil de Ribeirão Preto na tarde de segunda-feira, 19. O veículo, que poderá ser usado como cela para a custódia de presos em flagrante, está estacionado na sede da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), do 1º DP e do 1º Plantão Policial, que funcionam no mesmo prédio, no centro. Essa foi a solução encontrada, pois todas as celas disponíveis nas delegacias da cidade já estão com suas capacidades esgotadas e o Centro de Detenção Provisória (CDP), destruído na rebelião de 11 de abril, não pode mais receber detentos desde então. As duas celas do 1º Plantão Policial têm capacidade para seis presos cada, mas nesta terça-feira, 20, uma delas estava com 13 presos e a outra com 14, portanto, mais que o dobro. Para o delegado seccional de Ribeirão Preto, Rafael Rabinovici, não há local onde mandá-los. Desde a rebelião de abril, entre 60 e 70 presos já foram transferidos para cadeias de Franca e Santa Rosa de Viterbo, que também já estão saturadas. O delegado reconhece que as celas do anexo do 1º DP são inadequadas, mas que não existe outra alternativa no momento. Em caso de emergência, o caminhão será mesmo usado como cela. Integrantes da Comissão de Direitos Humanos da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de Ribeirão Preto, no entanto, alegam que as celas dos 1º e 2º Plantões estão em situações caóticas, precárias, e que os presos provisórios não podem ficar com os detidos em flagrante. E o CDP, que tem capacidade para 768 presos e abrigou cerca de 1,2 mil, entrará em reforma no próximo mês. A Defensoria Pública do Estado, no entanto, cita que a capacidade é para 525 detentos e que existiam 1.009 presos na rebelião de abril. Os quase 400 presos que ainda estão no local deverão ser transferidos até 2 de junho. As obras, que deverão demorar três meses, irão custar R$ 1,5 milhão ao governo estadual. Existem dois novos CDPs praticamente prontos na região, em Serra Azul e Franca, mas ainda sem data definida para a inauguração.

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