Câmera filmou roubo em relojoaria do Ibirapuera

Cinco homens participaram da ação, na noite de sábado; ontem, três joalherias fecharam as portas, mas o shopping abriu normalmente

Carolina Dall?olio, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2010 | 00h00

Uma câmera instalada bem na frente da entrada da relojoaria S.Rolim, no Shopping Ibirapuera, zona sul de São Paulo, flagrou a ação do grupo armado que assaltou a loja na noite de sábado e fugiu correndo pelas escadarias. De acordo com a equipe de segurança do shopping, as imagens permitem concluir que ao menos cinco homens participaram do crime e torna possível a identificação dos assaltantes.

Além da câmera da porta da relojoaria, outras que estão espalhadas pelos corredores do shopping ajudaram a registrar o assalto e a fuga dos bandidos. O material deve ser entregue à polícia ainda hoje. Os vídeos vão mostrar que os assaltantes não enfrentaram dificuldades para roubar a relojoaria. Embora a loja contasse com seguranças próprios, além dos fornecidos pelo shopping, nenhum deles tinha autorização para deter os criminosos, que estavam armados.

A orientação da administração do Ibirapuera para casos como esse é não entrar em confronto direto com os bandidos para evitar que um eventual tiroteio possa vitimar frequentadores do local. Por isso, os seguranças apenas seguiram os ladrões até a saída, protegendo os clientes.

A facilidade com que os assaltantes conseguiram realizar o crime e fugir já assusta funcionários de outras relojoarias. "A gente se sente inseguro porque, na hora H, vê que o segurança não pode fazer nada", conta a vendedora de uma joalheria vizinha à S.Rolim.

Ao todo, o Shopping Ibirapuera abriga 21 relojoarias e joalherias. Cada uma tem uma câmera de segurança na porta. Depois do crime, três joalherias fecharam as portas ontem. A S.Rolim também ficou sem funcionar até as 16 horas, mas depois voltou a atender o público. Os funcionários não quiseram falar com a reportagem.

Ontem, o shopping funcionava normalmente. As famílias passeavam pelos corredores, em um clima que contrastava com a tensão do dia anterior. O Shopping Ibirapuera afirma que não houve tumulto durante o assalto. Mas os funcionários negam.

A vendedora de uma das lojas vizinhas à S.Rolim conta que, na hora do roubo, as pessoas começaram a gritar "ladrão! ladrão!" e se esconderam dentro das lojas. "Foi um corre-corre danado, porque os bandidos passaram com a arma na mão e o pessoal se assustou", conta a mulher. "Era sábado à noite, o shopping estava lotado, cheio de criança. Não era para ficar com medo?"

Parte do grupo dos assaltantes fugiu pela loja de roupas C&A, que tem saída para a Avenida Ibirapuera. Outros três bandidos desceram as escadas do segundo para o primeiro piso correndo. Eles foram perseguidos por três seguranças do shopping, mas conseguiram escapar. A direção do shopping informou que os seguranças são proibidos de intervir em situações que coloquem a vida dos clientes em risco. A administração nega que tenha havido tumulto na hora do crime.

Investigação. O Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) investiga se os grupos que assaltaram duas vezes em junho joalherias do Shopping Cidade Jardim - a Tiffany e a Corsage, que vende Rolex - têm ligação com os criminosos que invadiram a S.Rolim.

Pelo menos dez suspeitos dos dois assaltos foram presos nos últimos 20 dias - o último, do caso Tiffany, foi capturado anteontem. A maior parte dos assaltantes foi detida na própria capital ? três deles foram presos na região de São Mateus, na zona leste. / COLABORARAM DIEGO ZANCHETTA e TIAGO DANTAS

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