Câmera em bike vira 'caixa-preta'

Aparelhos são cada vez mais usados nos EUA

NICK WINGFIELD, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h04

Quando Evan Wilder, de 33 anos, foi arremessado para o pavimento durante seu trajeto de bicicleta em uma manhã de agosto passado em Washington, ele não teve tempo de notar a placa da picape que o atingiu. Mas a câmera em seu capacete pegou tudo.

Pequenas câmeras (o equivalente ciclista de caixas-pretas em aviões) dão provas high-tech do que às vezes é uma competição feia entre pessoas que usam as vias em duas e em quatro rodas. À primeira vista, o vídeo de Wilder não parecia ajudar a identificar quem o tinha atingido. Mas o ciclista, que trabalha no departamento de fotografia da National Geographic, examinou quadro a quadro até descobrir uma imagem da placa do veículo. A promotoria do Distrito de Columbia denunciou o motorista, John W. Diehl, por deixar o local de um acidente. Diehl se declarou inocente e o caso ainda está sendo investigado. "Sem o vídeo, não saberíamos quem foi", disse Wilder.

Vídeos das câmeras em bicicletas começaram a ter um papel inestimável em investigações policiais de alguns atropelamentos e outros incidentes nos Estados Unidos. Advogados especializados em representar ciclistas dizem que eles esperam que o uso de câmeras aumente conforme o grau de conhecimento sobre os aparelhos suba e os preços, agora em torno de US$ 200, caiam.

Um dos vídeos mais famosos de acidentes de bicicleta foi gravado em abril, por dois ciclistas brasileiros. Ele estavam subindo os morros de Berkeley, quando um carro preto os derrubou e o motorista fugiu. Nenhum ciclista se feriu gravemente, segundo a polícia. O vídeo do atropelamento foi visto mais de 362 mil vezes no YouTube e o motorista, identificado.

Alguns ciclistas argumentam que a tecnologia vai até encoraja-los a manter o controle nas brigas com motoristas. "Sei que minhas ações vão ser gravadas se eu for o idiota", disse Wilder. "A câmera faz com que eu seja cuidadoso."

Ciclistas dizem que câmeras também podem impedir abusos verbais de motoristas. "Em estradas americanas você é sacaneado, fechado de propósito, ameaçado, não uma vez, mas com frequência", disse Bob Mionske, um ex-ciclista olímpico que hoje é advogado representando ciclistas em Portland, no Oregon. "Se motoristas começarem a ouvir sobre bicicletas com câmeras, eles vão pensar duas vezes antes de tirar você da estrada."

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