Câmera de projeto é furtada na Sé

Artista havia registrado 430 anônimos desde terça; e correu para comprar novo aparelho

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2013 | 02h03

Em cartaz desde terça na Praça da Sé, o projeto Retratos Falantes já fotografou 430 anônimos paulistanos. E registrou um inconveniente ontem, por volta das 12h20: a câmera utilizada pelo fotógrafo, uma Nikkon D300 - que custa, em média, R$ 6 mil, sem contar o valor da lente -, foi furtada. "Espero que o sujeito esteja tirando boas fotos da cidade", brinca o fotógrafo do projeto, Paulo Fridman.

"É um absurdo. A gente monta um projeto e é esse o tipo de interatividade que a cidade nos oferece", diz o produtor da iniciativa, Paulo Levy. Ele afirmou que o furto ocorreu diante de uma viatura da Polícia Militar e de homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que nada fizeram. "Não fui registrar boletim de ocorrência porque não adianta nada e não deu tempo. Precisei correr para comprar outra câmera e seguir com o projeto", conta.

Fusão imediata. O projeto Retratos Falantes está na Praça da Sé desde terça. A ideia é fotografar pessoas comuns e colar a esses retratos textos escritos pelos próprios fotografados com esperanças e sonhos. O estúdio móvel - uma van equipada com computadores - fica até amanhã na Praça da Sé. Depois vai para o Parque Trianon - de segunda a sábado - e, em seguida, fica na Praça da República - dos dias 17 a 22. Das 9h às 17h, o espaço está aberto a quem quiser ser fotografado. "Com a tecnologia disponível hoje em dia, podemos fazer a fusão fotográfica entre imagem e texto imediatamente", relata o fotógrafo, que começou com essa experiência em 1999.

Na época, seu objetivo era coletar impressões sobre o futuro do País na virada do milênio. "Comecei em dois lugares: na Vila Madalena e no Largo da Batata. Mas aí o projeto foi se expandindo, e com o passar do tempo, cheguei a fazer até em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, Dinamarca e Índia", diz.

Na versão atual da brincadeira, o participante recebe a foto por e-mail. "E tudo também vai ser disponibilizado em nosso site, o www.retratosfalantes.com.br", conta o fotógrafo. Ao lado do estúdio-móvel, as pessoas podem conferir uma exposição de fotos feitas por Paulo Fridman nesses 14 anos de projeto.

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