Camelôs voltam a ocupar ruas do centro de SP

Quando PMs passam, vendedores apenas colocam os produtos em sacolas pretas; logo depois, retomam o anúncio das mercadorias

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

21 Março 2013 | 02h02

Os camelôs voltaram a tomar conta da região central de São Paulo. Com discrição ou de forma escancarada, os ambulantes irregulares convivem sem problemas com dezenas de homens da Polícia Militar, que trabalham na chamada Operação Delegada - em que PMs prestam serviço à Prefeitura em horário de folga.

Na principal rua de comércio popular da capital, a 25 de Março, a reportagem contou pelo menos 60 camelôs vendendo óculos, pen drives, água, bolsas, relógios, máquinas de cortar cabelo, aparelhos de massagem, entre outros produtos.

As mercadorias ficam em sacolas pretas e são oferecidas aos pedestres, apesar da presença de mais de 30 policiais militares na via. Quando as duplas de PMs passam, os vendedores apenas colocam os produtos dentro das sacolas e esperam que eles andem alguns metros. Depois, começam de novo a anunciar os produtos em voz alta.

No ano passado, poucos vendedores ambulantes se limitavam a atuar, mesmo assim escondidos nas travessas da 25 de Março, onde a presença dos policiais é menor. Na região da Praça da República, a venda dos produtos é ainda mais escancarada. A Avenida Ipiranga tem várias bancas de camelôs que expõem DVDs e CDs piratas. Ali, a reportagem não encontrou nem os PMs da Operação Delegada.

Economia. Nesta semana, o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou que vai tirar um terço da Operação Delegada do combate aos camelôs - ao todo, 1,3 mil PMs vão passar a atuar à noite, focados no combate ao barulho e aos bailes funks. Uma das justificativas usadas pelo prefeito, durante o anúncio, foi a melhora da situação econômica.

"Você não está vivendo mais uma situação em que as pessoas não têm emprego e vão para rua comercializar produtos para sobreviver", disse. "Eu acho que estamos com R$ 300 milhões investidos num único objetivo que era o combate ao comércio de rua ilegal. Eu acho que essa etapa foi vencida; você não tem a situação de dez anos atrás", afirmou.

Ambulante regularizado há mais de 30 anos, Edivaldo Ribeiro de Jesus, de 65 anos, afirma que o aumento de vendedores ilegais nas ruas é prejudicial até para os regularizados. "Isso é ruim, porque vira bagunça. Depois, estoura uma bomba e recai em cima de quem tem documento", afirmou ele, que é deficiente visual. No entanto, ele não tem saudade da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que tentou tirar das ruas até mesmo os ambulantes regularizados.

Policiais militares entrevistados pela reportagem afirmaram estar desmotivados, após dois atrasos seguidos no pagamento da operação. A Prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre o esquema de fiscalização do comércio de rua, limitando-se a informar que pagou os salários do bico oficial dos PMs. /COLABOROU ANDRÉ CABETTE FÁBIO

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