Camelôs têm de sair hoje das ruas da capital

Proibidos pela Prefeitura de montar barracas, eles vão obedecer à decisão, mas fazendo barulho

FABIANO NUNES, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h04

A partir de hoje, os camelôs estão proibidos de montar barracas na capital. A categoria iniciou uma série de protestos contra a suspensão das licenças dos últimos 512 ambulantes que ainda atuavam regularmente nas regiões da 25 de Março e Praça da Sé. Um comunicado da Subprefeitura da Sé foi distribuído para avisar sobre a proibição.

Um grupo de camelôs com deficiência visual se acorrentou na frente da sede da Prefeitura para exigir que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) revogue a proibição. A categoria disse que não vai montar as barracas, mas planeja várias manifestações.

Hoje o alvo das manifestações será a sede da Prefeitura, no centro. "A ideia é a gente ir para lá apoiar o protesto dos deficientes visuais. Não vamos montar as barracas enquanto a Justiça não definir nosso futuro", disse o presidente do Sindicato dos Permissionários, José Gomes da Silva.

A Defensoria Pública de São Paulo entrou com recurso contra a decisão do presidente do Tribunal de Justiça, Ivan Sartori, que cassou a liminar que garantia o trabalho de ambulantes. Segundo o defensor público Bruno Miragaia, o recurso poderá ser analisado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça amanhã.

A categoria se reuniu com os vereadores na Câmara Municipal e disse que não vai aceitar as propostas da Prefeitura, que inclui vagas nas feiras livres para ambulantes deficientes físicos e alternativas de crédito. "Como vou montar uma barraca cada dia em uma feira? Não tenho um motorista para carregar meus produtos", reclamou o ambulante Francisco Antônio Rodrigues, de 86 anos, que é deficiente visual.

Os camelôs também pretendem fazer uma grande manifestação na Praça da Sé, amanhã. De lá, eles seguirão para a Praça João Mendes, na frente do Tribunal de Justiça, onde o recurso deve ser julgado.

Em 21 de maio, Kassab determinou a suspensão das licenças, alegando que a medida "abriria espaço para pedestres nas calçadas".

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