Camelôs ocupam ruas nobres de São Paulo

Na Faria Lima, nos Jardins e no Paraíso, já é possível observar vários ambulantes; migração ocorreu depois que a PM engrossou a fiscalização

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

28 Março 2011 | 00h00

O comércio irregular tem ganhado força em endereços mais sofisticados de São Paulo. Desta vez, na Avenida Faria Lima, zona oeste. É ali que executivos e mulheres muito bem vestidas têm dividido as calçadas com vendedores de CDs piratas, bolsas e pilhas. Um dos camelôs aceita até cartão de crédito ou débito. E a alimentação não fica atrás: o muro de um clube tradicional se tornou referência para uma barraca de churrasco grego e pinga.

A venda das quinquilharias e quitutes em áreas mais nobres também é vista com frequência no circuito dos Jardins, entre as Ruas Oscar Freire e Alamedas Lorena e Itu. Ali, no entanto, a atuação é bem mais discreta. Ambulantes trabalham sobre duas rodas - com carrinhos - ou perambulam pelas ruas oferecendo produtos em sacolas.

No vizinho Paraíso, a Rua Abílio Soares agrega o comércio informal de balas e guarda-chuvas. Ouvidos pela reportagem, vendedores da Faria Lima apresentam duas versões: parte do grupo afirma ter sido expulso do Largo da Batata, onde ocorre desde o ano passado a Operação Delegada. Por esse sistema, PMs de folga atuam para a Prefeitura no combate ao comércio informal.

Outros ambulantes garantem estar ali há pelo menos um ano. "Eu sempre trabalhei por aqui e estou tentando regularizar a minha licença", justifica uma vendedora de salgadinhos industrializados. Segundo ela, o número de camelôs aumentou após a operação da PM em Pinheiros, em junho de 2010. "De algum jeito precisamos ganhar nossa vida, nosso sustento", conta ela, que não quis ser identificada. Perto, outras três barracas tinham como "vitrine" capas para celular.

Oriundos da Avenida Paulista, onde a Delegada é aplicada com rigor desde outubro, camelôs da Augusta, no lado dos Jardins, dizem que foram impedidos de trabalhar e por isso estão tentando sobreviver por lá. Mas sempre com tensões. Parte do grupo, como um vendedor de óculos de sol, trabalha apenas com uma bandeja de isopor.

Os consumidores parecem não se importar. "Acho legal e até compro deles para ajudar", conta a dona de casa Carmem Alves, de 45 anos. Já Kleber Ferreira, de 27 anos, diz que os camelôs "não atrapalham".

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