Camelôs incendeiam ônibus no Brás

Conflitos começaram no domingo, quando 300 ambulantes foram impedidos de montar barracas; 2 carros e loja também foram queimados

FELIPE TAU , PEDRO DA ROCHA, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2011 | 03h04

Depois de quase um mês de trégua, camelôs e a Polícia Militar voltaram a se enfrentar no entorno da Feirinha da Madrugada, no Brás, região central de São Paulo. Os conflitos começaram na noite de domingo e adentraram a madrugada de ontem. Houve confronto com a Tropa de Choque, que usou balas de borracha para dispersar a multidão. Um ônibus e dois carros foram incendiados e seis manifestantes, detidos. Uma loja de roupas infantis pegou fogo - a suspeita é de que também tenha sido ação criminosa.

De acordo com o major Wanderley Barbosa Filho, comandante do 13.º Batalhão da Polícia Militar, o confronto começou depois que a polícia impediu que cerca de 300 camelôs montassem as barracas em locais proibidos. "Não obedeceram a ordem legal para que se retirassem e foi preciso o uso de força para liberação da via", disse. Desde o fim de outubro, a PM reforçou o efetivo no Brás para impedir o trabalho dos camelôs nas ruas da região. O presidente do sindicato dos camelôs, Leandro Dantas, disse que os atos de vandalismo não foram planejados.

De acordo com a PM, os camelôs pararam um ônibus e obrigaram os passageiros a descer. Em seguida, atearam fogo no coletivo, atingindo também dois carros, na Rua Barão de Ladário. "Foi um grupo com cerca de 15 pessoas. Fingiam que estavam armados, foi um horror", disse o motorista Carmo Machado da Silveira, de 47 anos. O ônibus pertencia à empresa Sambaíba e fazia a linha Shopping Center Norte-Metrô Belém. A ação teria ocorrido depois da tentativa de montagem das barracas.

Cinco viaturas dos bombeiros extinguiram o fogo, que também atingiu dois carros que estavam estacionados e causou danos à rede elétrica. Ainda segundo a polícia, os camelôs chegaram a atirar paus e pedras contra a PM, que deteve cinco pessoas, duas suspeitas de atearem fogo no coletivo, duas por soltarem rojões contra policiais e uma por desacato e lesão corporal.

Na Rua Maria Marcolina, esquina com a Rua Conselheiro Belisário, a loja Bebê Magazine, de roupas infantis, pegou fogo às 2h20 de ontem. O caso, assim como os demais, está sendo investigado pelo 12.º DP.

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