Camelôs e polícia voltam a se enfrentar na região do Brás

Após duas semanas, ambulantes voltaram a montar suas barracas; 2 foram detidos e uma loja foi incendiada

Ricardo Valota, do estadão.com.br,

30 de agosto de 2007 | 05h17

Camelôs e a Polícia Militar entraram em confronto na madrugada desta quinta-feira, 30, na região da Rua Oriente, no Brás, no centro de São Paulo. Por volta das 2 horas, os ambulantes começaram a montar a Feirinha da Madrugada e a Tropa de Choque foi chamada para impedir.  Centenas de ambulantes, que não têm o Termo de Permissão de Uso (TPU) da Prefeitura, chegaram a montar apenas os cavaletes e estender algumas lonas, mas como o efetivo da PM era pequeno, a ação policial só teve início por volta das 4 horas, com a chegada de reforço. Barricadas de lixo e madeira incendiados foram feitas pelos ambulantes para tentar impedir a ação da Tropa de Choque. As ruas Oriente, Monsenhor de Andrade, Xavantes, Maria Joaquina foram o palco do confronto com os policiais, que chegaram a usar bombas de efeito moral. Uma loja chegou a ser incendiada. Os camelôs, na medida em que eram encurralados pelos policiais, atiravam pedras e paus nos PMs e deixavam para trás as armações e lonas das barracas, que foram recolhidas por caminhões da Subprefeitura da Mooca. Dois ambulantes foram detidos. Operação Oriente Os cerca de 2.600 ambulantes que atuam nas ruas do Brás estão sendo impedidos de trabalhar nas madrugadas desde o dia 17 por uma operação da Polícia Militar em conjunto com a Guarda Municipal. São cerca de 400 PMs, dezenas de guardas civis, homens da Subprefeitura da Mooca, e de outros órgãos, envolvidos na denominada Operação Oriente. A intenção é evitar que ambulantes não cadastrados atuem nas ruas Oriente, Monsenhor de Andrade e Barão de Ladário, entre outras. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, na Feirinha da Madrugada, os camelôs irregulares vendem produtos de origem duvidosa. Outro foco da operação seria reprimir crimes de furto, roubo, receptação e pirataria. Segundo José Afonso da Silva, presidente do Sindicato dos ambulantes, o secretário municipal do Trabalho, Geraldo Vinholi, teria prometido uma solução para a situação dos ambulantes irregulares. Uma proposta seria a criação de um novo bolsão de comércio igual ao que já funciona em uma grande área fechada na região. No local, cerca de 3.500 ambulantes cadastrados trabalham normalmente e muitas vezes são alvo de ataques daqueles que não conseguiram permissão.

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