Camelôs brasileiros hostilizam chineses

Agressões verbais foram flagradas pelo ‘Estado’; ambulantes reclamam que orientais vendem pirataria e atraem fiscais

Cida Alves, Pedro da Rocha e Rodrigo Burgarelli ,

26 Outubro 2011 | 22h00

Ambulantes do Brás acusam chineses de vender produtos piratas e, com isso, atrair a fiscalização para a região. Durante os protestos na madrugada de ontem, os comerciantes orientais que chegavam para trabalhar no bolsão - espaço reservado para os vendedores legalizados, na Rua Monsenhor Andrade - eram hostilizados com frases como “volta para a China.” Apesar do clima tenso, não houve agressões.

“Falam em tirar a gente da rua pela pirataria, mas os chineses que podem pagar até R$ 300 mil por um espaço em um shopping vendem produto falsificado à vontade”, reclamava uma camelô. “Tem de acabar com esses chineses mesmo. Estão todos irregulares”, afirmava um comerciante de uma loja vizinha à feirinha.

Entre os chineses que trabalham no local, poucos falavam sobre o tema. A maioria afirma não ter presenciado agressões verbais do início da manhã. “Eu não vi, mas escutei alguns colegas comentarem. Eles (os camelôs) ficam bravos porque não podem trabalhar aqui dentro”, comentou uma vendedora chinesa que se identificou apenas como Li.

Segundo comerciantes, os chineses começaram a chegar ao Pátio do Pari em 2005 e, desde então, se espalharam pela região. Por isso, são vistos como “invasores” - e, como não costumam socializar com brasileiros ou comerciantes de outras nacionalidades, são criticados por quem não consegue recursos para alugar um box ou uma loja entre os 4.111 comerciantes regulares que trabalham do lado de dentro do pátio.

“A maioria deles acaba vendendo pirataria e isso prejudica a feira como um todo. Somos contra produtos irregulares. Queremos apenas vender roupas e outros produtos legais”, diz Vágner Barros, do Sindicato dos Ambulantes Independentes do Brás. 

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