Cambridge: à venda e na mira da Prefeitura

Donos de hotel têm até o mês que vem para fechar negócio ou imóvel será desapropriado

Luísa Alcalde JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2010 | 00h00

Os proprietários do prédio onde funcionou por 50 anos o Hotel Cambridge, na Avenida 9 de Julho, região central de São Paulo, têm até outubro para vender o imóvel. Após essa data, o edifício, avaliado em R$ 6,5 milhões, pode ser desapropriado pela Prefeitura, que o declarou de interesse social em fevereiro deste ano.

Na década de 1950, o Cambridge, com 15 andares, restaurante, boate e bar no térreo, era considerado um dos endereços charmosos da cidade. Deixou de funcionar como hotel há cerca de oito anos. Na boate, no térreo, são realizados eventos e festas.

O advogado Oswaldo Chade, de 74 anos, representante dos atuais donos do prédio, afirmou que o município deu prazo até 30 de outubro para a entrega do imóvel, quando o processo de desapropriação deverá ser concluído. "Por ora, existe um decreto de interesse social e de utilidade pública daquela área", explica. "Até lá, caso apareçam interessados, o prédio pode ser vendido, desde que o novo proprietário assine um protocolo com a Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) comprometendo-se a torná-lo habitável no prazo de três anos. Se isso ocorrer, a Prefeitura nos garantiu que desiste da desapropriação."

O decreto 51.237, de 4 de fevereiro, assinado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) declarou o imóvel "de interesse social para desapropriação judicial ou adquirido mediante acordo pela Cohab para implantação de programa habitacional".

Negociação. Os herdeiros do construtor do prédio querem pagamento à vista. A imobiliária que está intermediando o negócio é o Grupo Valentina Caran. Segundo Chade, há três grupos interessados no negócio. Um deles, da área de call center, quase comprou o prédio recentemente, mas desistiu. Os outros dois são do ramo de retrofit, especializados em comprar prédios antigos, reformar e revender.

De acordo com o advogado, técnicos da Cohab, responsável pelo processo de desapropriação, já fizeram o levantamento de metragem no edifício. "Os estudos de viabilidade da Prefeitura estão trabalhando no valor pedido, só não sabemos se vai chegar a isso porque o imóvel deve um valor considerável de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para a Prefeitura", diz.

Reforma. Em fevereiro, a administração municipal lançou o Programa de Habitação e Requalificação do Centro (Renova Centro), que prevê a desapropriação e reforma para uso como moradia de 53 prédios. A Prefeitura não deu informações sobre o projeto para o Cambridge nem informou se o prédio está incluído no Renova Centro.

O arquiteto Pedro Bellei, ligado à Fundação da Universidade de São Paulo (Fupam), contratada para fazer o levantamento de prédios abandonados no centro, afirmou que o Cambridge consta na relação dos cerca de 200 sem uso. "Quem decide quais incluir na lista das desapropriações é a Prefeitura", afirma.

O objetivo da Prefeitura é entregar os primeiros prédios em três anos. Está prevista a construção de aproximadamente 2.500 unidades. Segundo os planos da Cohab, os apartamentos devem ter entre 30 e 65 metros quadrados, e custarão entre R$ 40 mil e R$ 170 mil. O investimento estimado é de R$ 400 milhões.

Prédios no centro

15 andares tem o prédio do antigo Hotel Cambridge

119 apartamentos possui o edifício

50 a 70 metros quadrados é o tamanho dos apartamentos

8,6 mil metros quadrados é a área construída do hotel

63% dos imóveis abandonados no centro listados pela Prefeitura são comerciais

13% dos prédios sem uso, segundo o levantamento, abrigaram hotéis anteriormente

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