Camarote de bar tem até mesa de sinuca

Cliente garante espaço exclusivo, mesmo com casa cheia; aluguel começa em R$ 400

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h04

Uma prática comum nas baladas - alugar camarotes para clientes interessados mais em conforto do que no valor da conta - agora faz parte da rotina dos bares da cidade. Criar espaços vips é a forma que muitas casas têm encontrado para organizar salões que ficam tão cheios a ponto de prejudicar a qualidade do serviço. O cliente só tem de ligar e reservar com antecedência determinado espaço da casa - como uma ala pequena com sofás.

No Bar do Santa, na Vila Madalena, zona oeste, o camarote, aberto em janeiro, foi montado ao redor da mesa de sinuca. Trata-se de uma área com capacidade para 25 pessoas, delimitada por uma corda. "Passar a noite ali sai por R$ 600", diz o estudante Rafael Fernandes, de 18 anos, que já reservou o espaço três vezes. "Vou com a galera. A gente divide o valor e tem uma área exclusiva. Compensa." E o cliente ganha uma garrafa de uísque e outra de vodca, importados.

O local é justamente onde fica a mesa inglesa de sinuca, que lotava de tal forma que nem mesmo os garçons conseguiam controlar a clientela. "A meninada deixava copos e garrafas em cima da mesa. E eu sempre tinha de reformá-la. Às vezes, também sumiam bolas", lembra Maurício Laranjeiras, de 50 anos, um dos proprietários da casa.

Logo na primeira noite, o espaço já fez sucesso entre os clientes, que não só pagaram para ficar ali como fizeram reservas para os três dias seguintes. "O camarote comporta 60 pessoas, mas a ideia é justamente não lotar. Alugamos para 25."

Famosos. O Na Mata Café, no Itaim-Bibi, zona sul, com restaurante e área para shows, foi reformado há cerca de um ano e ganhou um piso elevado, que virou um tipo de supercamarote. Para 60 pessoas, é destinado principalmente a confraternizações. "Em anexo, fizemos uma área para shows e lá construímos mais cinco áreas vips. São mesas elevadas, parecidas com as das baladas", afirma Cliff Li, um dos sócios. Nessa área, o maior camarote acomoda oito pessoas.

No Na Mata, o camarote surgiu como necessidade para acomodar clientes famosos. Os atores Selton Mello, Rodrigo Santoro e Marisa Orth são alguns dos astros que frequentam a casa. "Quando tem show, fica muito cheio e não tínhamos como acomodá-los", explica Cliff.

As estrelas, no entanto, não pagam para ficar no "cercadinho". Já o cliente comum desembolsa R$ 550 para se acomodar em um camarote para quatro pessoas - com vista privilegiada do show e direito a uma garrafa de vodca importada e seis energéticos.

No Squat, bar com jeitão de lounge nos Jardins, na zona sul, os camarotes se formaram quase que espontaneamente. Os clientes que faziam aniversário ou outros tipos de confraternização, e já conheciam a casa, começaram a pedir para reservar os locais com sofás.

O bar costumava segurar mesas de no máximo dez lugares. "Mas isso é sempre um problema. O aniversariante nunca tem certeza de quem vem", diz Alexandre Morandi, de 39 anos, um dos sócios do Squat. "Pode sobrar ou faltar lugar à mesa. Além disso, os convidados ficam limitados a conversar com as pessoas que sentaram ao seu lado."

A solução foi transformar as áreas dos sofás em camarotes. O Squat tem três áreas vips, para 25 pessoas cada. O cliente paga R$ 400 e pode escolher entre uma garrafa de uísque, uma de vodca ou duas de champanhe. Quem fica com o uísque ou a vodca leva ainda seis energéticos.

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