Orçamento de 2017 terá verba insuficiente para subsídios de ônibus

Proposta do governo Haddad previa R$ 1,75 bi para complementar custos do sistema, mas, com promessa de congelamento da tarifa, nova gestão precisará desembolsar R$ 3 bi; segundo Câmara, rombo será de R$ 769 mi

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

20 Dezembro 2016 | 18h52

Por 39 votos a 2, a Câmara Municipal ainda aprovou em segunda e definitiva votação o Orçamento municipal para o ano que vem, estimado em R$ 54,6 bilhões. Os vereadores não alteraram o valor estipulado no orçamento para subsidiar o sistema de ônibus na capital. 

Na proposta formulada pelo prefeito Fernando Haddad (PT), o montante destinado a complementar o custo por passageiro ao sistema está em R$ 1,75 bilhão. Algumas projeções apontam a necessidade de subsidiar a operação com mais R$ 3 bilhões no ano que vem. Com a manutenção do valor, o cálculo da Câmara é que a gestão municipal terá um rombo de R$ 769 milhões no orçamento. 

O prefeito eleito João Doria (PSDB) não informou ainda como cobrirá o gasto. Uma das possibilidades é rever a política de gratuidades. Além disso, conforme o Estado mostrou ontem, estuda-se limitar a entrada de ônibus intermunicipal em São Paulo. 

Ao todo, foram 947 emendas acolhidas de forma total ou parcial, de um montante superior a 6 mil propostas recebidas. O texto aprovado ontem já prevê modificações a pedido da equipe do prefeito eleito João Doria (PSDB). Um destaque é o aumento de R$ 177 milhões no orçamento das atuais subprefeituras, que passarão a ser chamadas de Prefeituras Regionais. Assim, passarão a ter R$ 1,34 bilhão.

Relator do projeto do Orçamento, o vereador Atílio Francisco (PRB) também propôs remanejamento de R$ 65 milhões para atender emendas dos 22 parlamentares que assumirão em janeiro. A mudança eleva as indicações de obras e serviços feitas pelos vereadores dos atuais R$ 166 milhões previstos para R$ 231 milhões. 

O texto destina ainda mais R$ 50 milhões para custear a produção de moradias populares na cidade com base apenas no Tesouro Municipal, ou seja, sem a dependência de transferências dos governos federal ou municipal – mudança pleiteada pelos movimentos de moradia. 

Limpeza. O vereador Andrea Matarazzo (PSDB) criticou a redução de cerca de R$ 88 milhões na verba de limpeza urbana para obras. “A Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb) esteve na Câmara dizendo que os recursos que o Executivo mandou para cá eram insuficientes para a limpeza pública e o que nós fizemos aqui foi reduzir mais ainda, o que é um absurdo”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.