Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Câmara de SP terá novo museu e auditório

Obra estimada em R$ 9,3 milhões prevê espaço com teto retrátil e 302 lugares

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2011 | 00h00

A Câmara Municipal de São Paulo vai ganhar até dezembro um auditório com cobertura retrátil para 302 pessoas e um conjunto com café e museu. É o que prevê a licitação de R$ 9,3 milhões aberta pela Mesa Diretora na 5.ª feira.

Em duas décadas, esta será a primeira grande reforma do Palácio Anchieta, sede do Legislativo paulistano desde 1969. Todo o pavimento térreo também será reformado. A biblioteca da Câmara, que contém um dos maiores acervos sobre a história de São Paulo, vai ser transferida do segundo andar para o térreo, ao lado da entrada.

"Precisamos mostrar para as mais de 4 mil pessoas que entram todos os dias aqui o rico acervo da nossa biblioteca. E também dar um aspecto de movimentação para a Casa. Os vãos livres da entrada e o pé direito alto dão a impressão de que a Casa está meio vazia", argumentou o vereador Claudio Prado (PDT), segundo vice-presidente da Mesa Diretora.

Na biblioteca da Câmara, estão todas as atas das sessões realizadas pelos vereadores desde 1572. Em agosto, o Legislativo paulistano completa 451 anos.

Na reforma, a maior intervenção será no Auditório Freitas Nobre, localizado também no térreo. Com novo piso e cobertura, o auditório vai estar apto para receber filmes e peças de teatro, segundo Prado. "A intenção é trazer a população para a Câmara. Teremos um dos melhores auditórios da cidade", diz o vereador.

Um museu sobre a história da Câmara, com um café anexo, também está no projeto. "Nossa intenção é começar a obra no início de agosto e terminá-la em dezembro, antes do final do ano", acrescenta Prado. "Com o novo auditório, também teremos um espaço melhor para conceder os títulos de cidadão paulistano. Hoje, essa cerimônia ocorre dentro do plenário onde ocorrem as sessões", diz.

História. O decreto de desapropriação do terreno onde hoje fica o Palácio Anchieta, no Viaduto Jacareí, ao lado da Praça das Bandeiras, região central da capital, é de 1942, do prefeito Prestes Maia. Dez anos depois, em 1952, a Construtora Alfredo Mathias foi escolhida pelo prefeito Armando de Arruda Pereira para elaborar um projeto definitivo para a sede do Legislativo.

Na época, um dos arquitetos que participaram do projeto foi Oscar Niemeyer, hoje com 103 anos, que assina o desenho da escada em forma helicoidal (semelhante a uma hélice) do saguão de entrada da Câmara Municipal, um dos marcos arquitetônicos do prédio, que tem paredes de vidro em seus 13 andares. Ela também será reformada.

Paralelamente à reforma do Palácio Anchieta, a Câmara está digitalizando as mais de 8 milhões de páginas - ou 430 mil processos e documentos - de seus arquivos. O processo começou no fim de 2010 e tem como objetivo facilitar as pesquisas, melhorar o aproveitamento do espaço físico, preservar o acervo e reduzir gastos com papel. Os arquivos da Casa guardam requerimentos, projetos de lei, processos administrativos, folhas de pagamentos e documentos históricos desde 1948. A digitalização deve acabar em setembro.

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