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Câmara cobra que Alckmin explique agressão a travesti

Verônica Bolina foi fotografada com rosto desfigurado, cabelos cortados e seios a mostra em DP na região central de São Paulo

O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 15h48


BRASÍLIA - A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados cobrou do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, informações sobre as agressões praticadas por policiais contra a travesti Verônica Bolina, de 25 anos, no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, no último domingo, 12.

O presidente da comissão, deputado Paulo Pimento (PT-RS), instaurou procedimento para apurar crimes de tortura, agressão, racismo e homofobia. Ela foi fotografada com o rosto desfigurado, cabelos cortados e com os seios a mostra no distrito policial, na região central de São Paulo. Em uma das fotos, ela aparece com as mãos e os pés algemados, deitada de bruços e com a parte de trás da calça rasgada. Ela também é acusada de morder e arrancar parte da orelha de um carcereiro.

Em ofício, Pimenta afirma que "nenhum ato que tenha sido praticado pela vítima, em legítima defesa ou não, tem o condão de justificar tamanha violência policial". No documento, ele diz também requerer informações "com vistas à punição exemplar dos culpados".


A Corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso. De acordo com a polícia, Verônica provocou revolta de outros presos após expor a genitália e se masturbar dentro da carceragem do 2º DP, na manhã de domingo. Para conter a travesti, um dos carcereiros entrou na cela para retirá-la, ainda segundo a polícia. A travesti teria, então, atacado o agente e mordido sua orelha direita. Houve luta corporal entre os dois e um policial precisou atirar três vezes para tentar conter a confusão. Ninguém foi atingido.

O delegado Luiz Roberto Hellmeister, titular do 2º DP, confirma que Verônica teria se machucado durante o confronto com o agente de segurança, mas também diz que algumas marcas foram provocadas por uma confusão em que a travesti se envolveu antes de chegar à delegacia. Ela foi presa e indiciada por tentar matar uma senhora de 73 anos na região da Bela Vista.

Em uma entrevista gravada pela coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Heloísa Alves, Verônica afirma que estava "possuída" e que não foi torturada pelos policiais.

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