Câmara aprova polêmico monotrilho do Morumbi

Apesar de protestos de moradores contra 'novo Minhocão', vereadores dão aval à avenida que vai receber vigas da obra

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2011 | 03h02

Apesar dos protestos de mais de 3 mil moradores, o Morumbi, na zona sul de São Paulo, vai ganhar até o fim de 2013 uma linha elevada do metrô, mais conhecida como monotrilho. Ontem à noite, na última sessão do ano, vereadores aprovaram, por 48 votos a favor e 4 contra, a construção de uma nova avenida de 6,1 quilômetros no bairro, o que abre caminho para erguer as vigas da Linha 17-Ouro do Metrô.

Com 2,4 km, o último trecho da futura avenida vai atravessar a Rua Itapaiuna, que vai de Paraisópolis à Ponte João Dias. A ligação terá duas pistas de três faixas cada. Para o resto da Perimetral, como foi chamada na proposta, a previsão são duas pistas em cada sentido e canteiro central de 2 metros de largura, onde serão erguidos os postes do monotrilho.

A estimativa é de que será necessário remover casas de alto padrão em uma área superior a 18 campos de futebol entre a Praça Roberto Gomes Pedrosa, na frente do Estádio do Morumbi, e a Ponte João Dias, na Marginal do Pinheiros. Os moradores também reclamam que as desapropriações vão afetar área de mais de 120 casas. Eles chamam a obra de "novo minhocão" e dizem que as vigas elevadas vão ter um impacto urbanístico negativo sem precedentes. Estado e Prefeitura, porém, argumentam que a linha suprirá carência de transporte público para 80 mil moradores de Paraisópolis.

Os trens do metrô vão correr pelo alto no monotrilho. Por ser construído em vigas e pilares pré-moldados, o sistema ficará pronto em 24 meses, a partir de janeiro. A linha vai interligar o Aeroporto de Congonhas ao Estádio do Morumbi, o que facilitará o acesso ao maior estádio da capital. Atualmente, em dias de show, as pessoas com carros particulares demoram até duas horas para conseguir chegar à Marginal do Pinheiros. A capacidade máxima do monotrilho na zona sul será de 49 mil passageiros por hora, em cada sentido da linha, nos momentos de pico.

A Justiça já autorizou em julho o início das obras, que tem licença ambiental para o começo de 2012. Só faltava mesmo a autorização concedida ontem pelos vereadores paulistanos.

Revolta. "Agora vamos mover uma ação para anular essa votação indecente. A Câmara não consultou o bairro em nenhum momento, aprovou só para ganhar o voto dos moradores de Paraisópolis em ano eleitoral sem estimar a decadência urbanística que a obra pode causar", disparou Marcela Takagi, farmacêutica de 36 anos, uma das signatárias da ação movida no início do ano por moradores, que acabou indeferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

O vereador Aurélio Miguel (PR), morador do bairro, votou contra a proposta. "Não houve nenhum debate do governo com os moradores. É uma vergonha o governo não dialogar com a população", afirmou o parlamentar.

Mas a maioria dos partidos votou a favor da proposta. Outro projeto complementar ao monotrilho, que autoriza a abertura de novas ruas em Paraisópolis por onde a linha vai passar, também foi aprovado ontem em segunda discussão. "O povo de Paraisópolis necessitava de um transporte de massa com a qualidade do metrô", acrescentou Marco Aurélio Cunha (PSD).

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.