Câmara aprova as contas de Kassab em 3h

Análise de 3 anos da gestão foi rápida; alerta do TCM sobre descontrole na saúde acabou ignorado

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2012 | 07h45

Em menos de três horas, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou ontem as contas do prefeito Gilberto Kassab (PSD) dos anos de 2008, 2009 e 2010. Na primeira votação sob o novo sistema de verificação de presença somente por digitais, 53 dos 55 vereadores lotaram o plenário do Legislativo. Só o PT e os vereadores Adilson Amadeu (PTB) e Aurélio Miguel (PR) votaram pela rejeição das contas.

A base governista do prefeito atropelou a oposição e deu pouca margem até para discussão e debates, antes de os projetos serem colocados em votação. As contas chegaram à Câmara com parecer favorável para a aprovação do Tribunal de Contas do Município (TCM). Com outra legislatura e longe do poder, o prefeito temia perder apoio e ver a repetição do que aconteceu com Celso Pitta (1946-2009), que teve as contas rejeitadas em fevereiro de 2009, mais de uma década após deixar a Prefeitura.

Os vereadores, porém, ignoraram alertas, feitos pelos técnicos do tribunal, de que existe um descontrole na gestão das organizações sociais que gerenciam mais de 300 unidades de saúde da Prefeitura. "Não entendo como se aprovam as contas de um prefeito que gasta mais de R$ 500 milhões só em auditoria e 'desenhinhos'", disparou Amadeu. Apesar de ser líder do PR, partido que apoia a candidatura de José Serra (PSDB) ao Executivo, o ex-judoca Miguel afirmou que se manterá na oposição. "O Serra é o Serra, o Kassab é o Kassab", argumentou.

Habitação. Ontem, após a aprovação das contas, os vereadores tentaram votar o Plano de Habitação, que permite a construção na capital de moradias populares de até 67 metros quadrados - hoje o limite é de 52 metros quadrados. Mas houve obstrução da bancada do PT.

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