Câmara adia votação sobre isenção do rodízio aos advogados

Não houve consenso para a votação; se aprovado, projeto segue para sanção do prefeito Gilberto Kassab

Da Redação,

02 Dezembro 2008 | 18h53

A sessão extraordinária que votaria o projeto que dispensa os advogados do rodízio de veículos em São Paulo foi cancelada nesta terça-feira, 2. Por falta de consenso, os vereadores cancelaram a votação do projeto de lei 406/07 na Câmara dos Vereadores da capital paulista. O texto, de autoria do vereador Edivaldo Estima (PPS) continua na pauta e pode ser votado ainda esta semana, segundo a assessoria de imprensa da Câmara.   Veja também: Opine: você acha que os advogados devem ser isentos do rodízio?      O texto já foi aprovado em primeira votação e prevê o benefício por motivos profissionais e vale para um veículo por advogado. Se aprovado, o texto vai à sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A proposta pode favorecer 85 mil profissionais.   "A maior parte dos advogados não tem dois carros e tem problemas quando precisa ir a audiências. Daí tem de usar o carro do cliente. Ele precisa da lei para que possa andar no seu carro", diz Estima. "São poucos os vereadores que não concordam. De advogado e médico, a gente sempre precisa." Hoje, a única categoria profissional isenta do rodízio é a dos médicos, que precisam se cadastrar no Departamento de Operação do Sistema Viário(DSV).   Entre os opositores estão os parlamentares Mara Gabrilli (PSDB) e Antonio Donato (PT), ambos da Comissão de Trânsito e Transportes da Câmara. "A minha posição e da bancada do PT é contrária ao projeto. Não há nada que caracterize a profissão de advogado como emergencial", afirmou Donato. Para Mara Gabrilli, que foi relatora do projeto, o texto "privilegia uma classe" em detrimento das outras. "Os enfermeiros também vão querer e assim por diante."   Luís Flávio D’Urso, presidente da seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil, diz que a lei é uma necessidade que "vai atender o cidadão" e refuta a idéia de "privilégio". "O projeto visa ao sentido profissional."   A idéia de excluir os advogados do rodízio partiu da OAB-SP, que entrou em contato com o chefe de gabinete do vereador Estima, Renato Figueiredo. "Assim como o médico cuida do corpo da pessoa, o advogado cuida da alma", diz Figueiredo, defendendo a tese de que os advogados prestam serviço emergencial. O projeto prevê ainda um adesivo que identifique o veículo como liberado do rodízio. Sobre eventuais abusos, Figueiredo diz acreditar na "boa fé" dos advogados.

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