Calouro é agredido por veteranos em trote em faculdade de SP

Ele havia se negado a participar do trote porque iria da faculdade direto para o trabalho

Andressa Zanandrea, Jornal da Tarde

21 de fevereiro de 2008 | 09h12

Após ser agredido por veteranos ao ter se negado a participar do trote, no primeiro dia de aula, no curso de Publicidade e Propaganda, o operador de empilhadeira Márcio Marques da Silva, de 24 anos, não deve voltar a freqüentar o campus do Centro Universitário Nove de Julho (Uninove) na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. A família afirmou que vai processar a faculdade pelo ocorrido. "Espero que providências sejam tomadas. Não quero freqüentar a faculdade desse jeito. É uma coisa ridícula alguém que tem estudo agir como animal. É preciso aprender a respeitar os outros", diz Márcio, que ficou com ferimentos principalmente no rosto e na orelha, além de ter tido a roupa e os tênis machados de tinta.  A mensalidade na faculdade é de R$ 680, mas o rapaz tem 65% de bolsa da União dos Estudantes de São Paulo. Mesmo com o desconto, a vontade de cursar Publicidade deve ser adiada. "Lá ele não volta mais. Vou arrumar um advogado e entrar na Justiça", afirma o pai de Márcio, o taxista Pedro Marques da Silva, de 59 anos. "Trote é a pior coisa que existe em faculdades. Tinha que ter um jeito de banir e punir quem pratica." Márcio havia se negado a participar do trote, no intervalo das aulas, na manhã de quarta-feira, 20, pois seguiria da faculdade direto para o trabalho. A agressão durou cerca de três minutos e ocorreu dentro da sala de aula número 611, no 6º andar da faculdade. Ele afirma que havia entrado na sala, pois colegas haviam dito que veteranos não podiam entrar. "Um entrou e disse que eu tinha de participar. Expliquei que tinha de trabalhar, levantei para sair, mas outros três apareceram. Deram socos, pontapés, jogaram tinta. Veio um rapaz para dar chute no meu rosto e um me deu socos enquanto outro segurava", conta.  Os novos colegas de sala acionaram seguranças da faculdade. "Quando os seguranças apareceram de longe, os agressores subiram para o andar de cima." Em seguida, ele foi até o 7º andar e conseguiu identificar um dos quatro agressores, que seria estudante de Jornalismo. O rapaz foi levado até a coordenação e levou uma suspensão de 15 dias, de acordo com Márcio. Após registrar ocorrência no 23º Distrito Policial (Perdizes) e passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), o jovem seguiu, por volta das 14 horas, para o Hospital das Clínicas (HC), onde passou por exames. Ele reclama da falta de assistência da faculdade. "Só me deram o endereço da delegacia, para onde fui a pé. De lá até o hospital, fui de carona com uma equipe de reportagem."  Dois representantes da Uninove, segundo Márcio e parentes, chegaram ao HC por volta das 23 horas, e insistiram para que o rapaz, que já havia recebido alta, fosse levado para o Hospital do Coração (HCor), no Paraíso, na zona sul. Ele foi até o HCor, onde ficou até as 2 horas. Segundo o pai de Márcio, os representantes da Uninove afirmaram, ainda que tomariam providências e puniriam os culpados.

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