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Em trote em faculdade de Medicina, calouras 'juram' não recusar 'tentativa de coito'

Universidade de Franca informa que responsáveis pelos atos estão sendo identificados e serão penalizados; OAB oficiará autoridades locais e entidade de ensino; MP vai investigar o caso

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 15h06

SÃO PAULO - A cena em que calouras de Medicina da Universidade de Franca (Unifran), no interior de São Paulo, aparecem ajoelhadas em frente a um estudante do curso fazendo juramento de que nunca vão recusar "tentativa de coito" de um veterano de Medicina causou polêmica e provocou reações de entidades estudantis e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em um dos trechos, as jovem repetem a frase: "Juro solenemente, nunca recusar uma tentativa de coito de um veterano. Prometo nunca entregar o meu corpo a nenhum invejoso, burro, trouxa... da Odonto". 

O trote com essas afirmações parece ser recorrente na universidade. Após a divulgação do vídeo, uma aluna de Medicina da Unifran postou na sua conta no Facebook que passou por esse mesmo "juramento" durante trote em 2015

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 13ª Subseção de Franca/SP, informa que oficiará as autoridades locais e a universidade sobre o caso que ocorreu na segunda-feira, 4. O Ministério Público instaurou um inquérito para investigar o episódio. 

"Repúdio a qualquer ato de violência física, moral ou psicológica perpetrados em face dos alunos recém admitidos", reforçou a nota.

Em nota, a Universidade de Franca (Unifran) informa que se manifesta veementemente contrária ao ocorrido. 

"Atitudes como essa não constituem somente atos de preconceito, mas um ataque à própria universidade, uma violência à sua tradição e missão, motivo pelo qual os responsáveis pelos atos estão sendo identificados e serão penalizados, conforme previsto no Regimento Geral da UNIFRAN Art. 128, incisos III, VI, VIII e, em especial, o inciso V Penalidades de acordo com os artigos 132 e 133 (que podem ser de uma simples advertência até expulsão)", destacou o posicionamento.

Também no Facebook, o dr Rafael Gonçalves que recebeu o vídeo de uma aluna de Medicina demonstrou indignação com o fato.

A Atlética Medicina Franca também divulgou nota condenando qualquer tipo de atitude de cunho discriminatório.

A Atlética Educa Unifran (AAAPS) informa que repudia qualquer prática que viole a integridade física e moral de qualquer aluno, seja ele calouro ou não.

A Atlética do curso de Direito também se manifestou sobre o caso.

 

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