Calma no morro e susto no DP

Madrugada foi de tranquilidade no complexo de favelas e de preocupação no distrito da Penha

Marcelo Auler / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

Na noite de domingo, as situações se inverteram nos bairros da Penha e da Olaria, na zona norte do Rio. Nas comunidades dos Complexos do Alemão e da Penha, reinava a calma, mas na 22.ª Delegacia de Polícia, na Penha, era grande a agitação, chegando ao auge às 2 horas, quando um motorista de taxi avisou que dois motoqueiros passariam atirando contra o distrito.

A correria foi grande, duas motos realmente cruzaram a frente da delegacia e por pouco não foram fuziladas sem motivo aparente, uma vez que a história da ameaça foi trote de mau gosto.

Nessa hora, policiais militares, sonolentos e cansados - alguns trabalhavam desde às 5h de domingo - se amontoavam na DP à espera da disponibilidade de policiais civis para lavrarem as apreensões de drogas e armas e as prisões em flagrantes ocorridas de dia no Complexo do Alemão.

Entre os presos estava Neil Barbosa Marques, o Olho de Gato, de 31 anos, gerente do tráfico na Comunidade Nova Brasília e braço direito do chefe no Alemão, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. Olho de Gato não foi preso por tráfico, pois os policiais militares do 14.º Batalhão (bairro de Bangu) não o acharam com drogas, mas com um fuzil alemão G-3 (com rajada tripla a cada disparo), arma restrita e proibida.

Além do flagrante pelo Estatuto das Armas, ele foi recolhido por não ter completado os 6 anos de prisão a que foi condenado por roubo. Ao beneficiar-se com Visita Periódica ao Lar, saiu do presídio e não retornou.

Bêbado. A delegacia fervia, mas as ruas dos dois complexos estavam vazias. No bairro da Penha, na Vila Cruzeiro, ocupada quinta-feira, nem policiais havia. Na Rua Joaquim de Queirós, à meia-noite crianças brincavam indiferentes aos policiais circulando. Nas entradas do Alemão, soldados do Exército - na maioria -, policiais civis e policiais federais permaneciam revistando quem entrava ou saía.

Os paraquedistas atenderam ao apelo de um menor e prenderam o pai dele, Marco Aurélio Pereira do Santos, de 36 anos, que, bêbado, batia mais uma vez na mulher.

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