Calha do Rio Tietê já não suporta tanta água

''Não se projeta rodovia baseado em tráfego de réveillon. É o mesmo com obra de drenagem'', diz [br]coordenador do projeto

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

Pela segunda vez em janeiro, o Rio Tietê voltou a transbordar. Apesar do anúncio do governador Geraldo Alckmin (PSDB) da retirada de 2,1 milhões de m³ de entulho do rio ainda neste ano, talvez a solução para o extravasamento ainda não esteja próxima. "A calha não suporta mais de 70 milímetros de chuva em duas horas. Isso gera um pico de vazão maior do que a capacidade no trecho entre a Ponte das Bandeiras e a Barragem da Penha, que é de 500 a 600 m³ por segundo", afirma Aluísio Canholi, que foi coordenador técnico do Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê.

A calha foi projetada para aguentar uma chuva de 120 mm, distribuída entre 12 horas e um dia. Ontem, só na região do Aricanduva, segundo o CGE, choveu 143,5 mm. No Belenzinho, foram 146,2 mm e, na Barragem da Penha, 102,8 mm.

"Se for analisar a série histórica, é raro chover essa quantidade em tão pouco tempo. Porém, há dois verões isso acontece e pode se tornar uma constante. Então, você terá de readaptar a obra", diz Canholi, fazendo uma comparação: "Você não projeta uma rodovia entre São Paulo e Santos baseado no tráfego que ela vai receber no réveillon. É a mesma coisa com obra de drenagem urbana. Não existe risco zero. Em algum ponto vai ter enchente."

A saída, no entanto, não é simplesmente aumentar a calha do Tietê. "São Paulo não pode exportar enchente para o interior, mandando esse excesso de vazão de água para outras cidades." Canholi acredita que a solução está em intervenções feitas em afluentes do Tietê. "Cabuçu de Cima, Tamanduateí, Aricanduva, tem de fazer reservatório para todos esses. Toda bacia deveria se autocontrolar, para que chegue menos água ao Tietê."

No domingo, os Córregos Tiquatira, da Penha, Cabuçu de Baixo e Cabuçu de cima transbordaram - segundo o secretário Ronaldo Camargo, "eles não conseguiram entrar no Tietê em função da grande quantidade de chuva que caiu sobre o rio".

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