Caixas-pretas podem começar a ser analisadas nesta sexta

Exame nas caixas-pretas do Airbus da TAM que caiu em Congonhas não tem data para terminar

Patrícia Campos Mello, do Estadão,

20 de julho de 2007 | 15h26

As duas caixas-pretas do Airbus 320 da TAM que caiu em Congonhas chegaram nesta sexta-feira, 20, ao Conselho Nacional de Segurança dos Transportes dos Estados Unidos. Segundo o porta-voz do conselho, Keith Holloway, os investigadores vão começar a examinar as caixas-pretas ainda nesta sexta, e podem ou não interromper os trabalhos no final de semana. Não há previsão para o término da análise das caixas-pretas.  As duas caixas-pretas poderão determinar, por exemplo, se o avião estava rápido demais ao se aproximar da pista, se o reverso atrapalhou no pouso e porque o piloto fez uma tentativa desesperada de arremeter. "Em questão de horas, os investigadores irão transcrever o conteúdo do Gravador de Voz do Cockpit e do Gravador de Dados de Vôo", explicou ao Estado o especialista Ross Aimer, presidente da consultoria Aviation Experts, que vem analisando acidentes aéreos nos últimos 43 anos. Mas o Conselho não poderá divulgar as transcrições para o público até a conclusão das investigações. As duas caixas-pretas ficam na cauda do avião, a área menos provável de ser destruída em um acidente. "Como foram resgatadas intactas, será mais fácil determinar as causas do acidente", diz Raimer. O Gravador de Voz do Cockpit registra os últimos 30 minutos de conversas no cockpit, comunicação com a torre e barulhos das turbinas. O investigador do Conselho vai procurar também ruídos do trem de pouso. Um grupo formado por investigadores do Conselho, representantes da Agência de Aviação Civil dos EUA, da Airbus e da entidade de pilotos deve se reunir a partir de segunda-feira, 23, para ouvir as gravações da caixa-preta.  Já o gravador de dados mostra a velocidade, direção, vento. Ele registra entre 18 e 1000 características de vôo por até 25 horas contínuas. Pode mostrar, por exemplo, se havia algo de errado com a turbina, qual era a altitude quando o avião começou a descer, a velocidade ao tocar na pista. Pode registrar até se havia algum detector de fumaça acionado. Com os dados do gravador, o Conselho faz uma reconstituição computadorizada do vôo. De posse dessas informações, eles iniciam as investigações sobre a causa do acidente, que podem levar até dois anos. Os investigadores vão pesquisar desde o histórico do piloto, para saber se ele foi bem treinado, até seu padrão de descanso, para determinar se estava cansado durante o vôo e, portanto, mais propenso a cometer erros.

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