Caixa-preta revela que avião bateu em depósito a 175 km/h

Aeronave tentou pousar em velocidade padrão, bateu em mureta e colidiu lateralmente no prédio da TAM

Luciana Nunes Leal e Isabel Sobral, do Estadão,

24 de julho de 2007 | 17h45

Os primeiros dados da caixa-preta do Airbus A320 da TAM, que explodiu ao bater em um prédio da TAM Express, em frente ao Aeroporto de Congonhas, revelam que a aeronave tentou pousar a uma velocidade de aproximadamente 240 km/h, bateu na mureta de contenção da pista e depois colidiu lateralmente com o prédio da TAM Express, a 175 km/h. O acidente aconteceu na terça-feira passada e deixou, pelo menos, 199 mortos.   De acordo com o presidente da Empresa Brasileira de Infra Estrutura Aeronáutica (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, o avião teria pousado na velocidade padrão para a pista principal do Aeroporto de Congonhas. Durante entrevista coletiva, Pereira foi mais prudente e disse que o avião deve ter pousado na velocidade padrão para os Airbus A320. "Jatos dessa categoria pousam com velocidade entre 109 e 110 (nós)", disse o brigadeiro. Esse valor corresponde a aproximadamente 200 km/h.   "A informação que temos é que o avião pousou em velocidade normal, dentro do padrão do Airbus. E que colidiu a 175 km/h, o que é menor que a velocidade do pouso. O que ocorreu entre um ponto e outro é a análise mais detalhada da caixa- preta que vai dizer", afirmou o deputado Efraim Moraes (DEM-PB), por telefone. Ele e o relator da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), estão em Washington acompanhando as investigações.   O brigadeiro Jorge Kersul Filho, do Centro de Investigação de Acidentes Aeronáuticos disse, durante a coletiva que o avião não desacelerou o suficiente e colidiu lateralmente a 175 km/h no prédio da TAM Express. Sobre as informações que a caixa preta deve revelar, o brigadeiro disso que o importante "não é o relatório final, mas sim as recomendações de segurança que emitiremos a qualquer momento que evitará que outro acidente como esse aconteça".   Questionado sobre a eventual contribuição das condições da pista, Kersul disse que não pode afirmar nada por enquanto. "Como houve o acidente, a gente vai tentar eliminar essa possibilidade. Sugerimos que operações sejam evitadas naquela pista (a principal do aeroporto) enquanto estiver molhada, até as confirmações dos parâmetros".   Resultados em dez meses   Sobre as investigações, que devem durar, segundo Kersul, dez meses, ele disse que não está sendo usada a palavra "causa", e que eles estão buscando os "fatores" que contribuíram para o acidente. "Nenhum acidente se deve a um fator único fator, e sim a uma seqüência. Por exemplo, uma tripulação que não descansou o suficiente ou uma pista molhada podem ter contribuído".   Kersul descartou a possibilidade grande de um novo acidente na pista de Congonhas. "Não podemos dizer que um outro acidente se repetirá. O que fazemos é tentar evitar ao máximo. Trabalhamos pra evitar, e se identificarmos alguma falha de freio no avião (que se acidentou), não vamos esperar o fim das investigações pra divulgar isso", garantiu.   Grooving em Congonhas   Durante a coletiva, Pereira disse ainda que, se dependesse dele, as obras para a instalação de ranhuras (grooving) começariam ainda nesta terça, já que a pista está fechada. "Como ainda não está operando, minha determinação é que ela (obra) comece agora, não espere até a madrugada. Ranhura tem de começar em cada cabeceira. Pode ser feita em no mínimo 20 dias, no máximo 47", disse.   Pereira informou que a pista principal de Congonhas, onde ocorreu o acidente com o avião da TAM na última terça-feira, 17, foi feita rapidamente, mas não houve "pressão". "Nós acompanhamos o processo técnico. Ao longo da obra, foram feitas medições constantes para corrigir eventuais falhas", disse. "Após o acidente, foram feitas medições, novamente".

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