Caixa-preta do Airbus é encontrada; mortos são mais de 190

No início da manhã, operações em Congonhas recomeçavam; autoridades reúnem-se com parentes de vítimas

18 de julho de 2007 | 06h28

No início da madrugada desta quarta-feira, 18, a equipe de Corpo de Bombeiros conseguiu resgatar a caixa preta do vôo 3054 da TAM, que explodiu na terça-feira à noite. Segundo nota divulgada pouco após as 9 horas da manhã pela empresa, havia 186 pessoas a bordo do vôo vindo de Porto Alegre, sendo 162 passageiros, 18 funcionários da companhia aérea e seis tripulantes. Todos morreram no acidente.   Além das pessoas a bordo, duas tiveram os corpos encontrados no local do desastre e pelo menos outras três, resgatadas no solo, perderam a vida durante o socorro médico, ainda na noite de terça. O desastre já é considerado como o maior da história da aviação brasileira.    Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? O local do acidente Os piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320 Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe    A Secretaria de Segurança Pública paulista informa que, até pouco antes das 11h, 102 corpos já haviam sido retirados do local do acidente. Nesse mesmo horário, seis haviam sido identifcados no IML.       Poucos segundos   'Vira! Vira! Vira!'. Estas foram últimas palavras ouvidas pela torre de controle do aeroporto de Congonhas de dentro da cabine do Airbus A320 da TAM, segundo um oficial da Aeronáutica. A aeronave derrapou na pista, atravessou a Washington Luiz e bateu em um prédio da companhia aérea e em um posto de gasolina, do outro lado da avenida.   Segundo o oficial, que investiga a tragédia e repassa as informações diretamente ao alto comando da Aeronáutica, o acidente durou alguns segundos, entre o pouso e o choque, que, por volta das 18h40, causou uma explosão que consumiu o avião e destruiu o prédio. Antes do pouso, diz ele, o comandante foi informado pela torre de que a pista estava molhada e escorregadia.   Após o primeiro toque no solo, quando tudo parecia bem, a torre disparou um aviso para o avião seguinte, que aguardava a vez para pousar. No momento do choque a aeronave estava a cerca de 180 km/h, velocidade típica de quem tentava arremeter depois de constatar que fora impossível pousar.   Operação no aeroporto   O resgate foi suspenso pouco depois das 22h30 por causa do desabamento de uma parede. A Aeronáutica informou que o aeroporto de Congonhas não iria abrir às 6 horas desta quarta-feira, como ocorre normalmente. No entanto, a reportagem do estadao.com.br pôde apurar que por volta das 6 horas, os guichês de atendimento funcionavam normalmente em Congonhas, desmentindo as autoridades que disseram que as atividades no aeroporto só voltariam ao normal quando a vistoria na pista estivesse finalizada.   A TAM cancelou 19 vôos para todo o País nesta manhã e pede aos passageiros que remarquem por telefone. A pista auxiliar vai operar, mas com restrições, que não foram especificadas pela Infraero.   Os familiares dos passageiros começaram a chegar ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, ´no início da noite, protagonizando cenas de desespero. Um senhor gritava indignado pedindo pela lista de passageiros. Os mais exaltados foram contidos por amigos.   O deputado federal Julio Redecker (PSDB-RS) estava a bordo do avião. A liderança do PSDB lamentou o acidente e, em nota, do senador Arthur Virgilio (AM), diz que há meses o partido "denuncia os problemas sobejamente conhecidos que afetam o tráfego aéreo e os principais aeroportos do País e reclamando providências das autoridades". Famílias  O comandante da Aeronáutica, Junito Saito, e o presidente da Infraero, José Carlos Pereira, estão reunidos nesta manhã com familiares das vítimas do acidente, no pavilhão das autoridades em Congonhas. A reunião é fechada, e se esperam ainda os familiares que vêm de Porto Alegre.   Gabinete de crise   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula estabeleceu um gabinete de crise para acompanhar o caso e cancelou toda a agenda até sexta-feira. A caixa-preta da aeronave já foi encontrada e será periciada.   Na reunião com Lula, questionava-se se o acidente poderia ter sido provocado pela liberação da pista de Congonhas sem as ranhuras que ajudam a segurar os pousos de grandes aviões, que só começariam a ser feitas no próximo dia 25 de julho. O agente de segurança de vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, confirmou ao Estadão essa hipótese: "Era de se esperar que isso ocorresse. Um avião lotado, portanto, pesado, um dia de chuva e com empoçamento de água, o piloto fica sem ter como controlar o avião". Para o governo federal, é cedo para tirar conclusões sobre o acidente.   Marcia Barros, que estava perto do local no momento do acidente, afirmou ao estadao.com.br que houve uma explosão logo após a colisão. Por volta de 20h30, o prédio começou a desabar. Uma testemunha teria visto o momento em que o avião vinha pousando, entrou um depósito e pegou fogo.   O Corpo de Bombeiros enviou 50 equipes para controlar o incêndio. Havia muitos curiosos no local, que atrapalhavam o trabalho dos bombeiros e do resgate. O primeiro foco de incêndio foi controlado por volta das 21h15, mas no início da madrugada ainda havia chamas no prédio. Segundo um bombeiro, o avião foi inteiramente destruído.  

Tudo o que sabemos sobre:
Vôo 3054

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.