Caixa deve liberar bolão em lotéricas

Depois de combater prática irregular, banco agora admite que aposta conjunta é habitual e tenta criar sistema seguro para apostadores

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2010 | 00h00

A Caixa Econômica Federal quer liberar o bolão - aposta coletiva, patrocinada ou comercializada pelas lotéricas. Apesar de ser irregular e combatida pelo órgão, essa prática ainda é comum, principalmente em jogos da Mega-Sena. "Então, achamos adequado transformar esse hábito popular em um jogo regularizado", conta o gerente nacional de canal parceiro lotérico da Caixa, Antonio Carlos Barasuol.

"As apostas serão registradas no computador", explica Barasuol. E comprovantes serão dados para o cliente, indicando a parte do prêmio que ele receberá se os números forem sorteados.

Até o fim do mês, o banco deve definir o sistema que será usado. "Aí, só dependeremos da aprovação do Ministério da Fazenda", diz Barasuol. Ele acredita que isso será feito até dezembro.

Os lotéricos aprovam. "É um acordo que faremos com a Caixa para evitar problemas como o de Novo Hamburgo", diz Jodismar Amaro, presidente do Sindicato dos Comissários e Consignatários do Estado de São Paulo (Sincoesp), que reúne cerca de 2.500 lotéricas do Estado.

Amaro se refere à controvérsia na cidade gaúcha em fevereiro, quando apostadores de um bolão acertaram as dezenas, mas não levaram o prêmio. O lotérico alega que uma funcionária se esqueceu de registrar a "fezinha". O estudo para regularizar a prática começou logo após o caso, embora, de imediato, a Caixa tenha reforçado a fiscalização contra a prática irregular.

Irregularidade. Hoje, quem participa de bolões só recebe um documento informal de sua aposta. É preciso confiar no lotérico, que fica com o comprovante real - único papel que dá direito ao prêmio. "Na prática, o cliente não pode reclamar o montante", diz Barasuol. "Ele tem de contar com a boa-fé do lotérico."

O Estado percorreu lotéricas em São Paulo e constatou que, apesar de nunca ter sido liberado, o bolão é comum. "Bolões, como os feitos durante a Copa, são muito adotados entre amigos", afirma Barasuol. "Mas um lotérico não pode promover isso. Principalmente porque, assim, ele infringe nossas regras."

Segundo a Caixa, o lotérico precisa sempre emitir um comprovante da aposta. E também tem de registrar os números do jogo. Quando é feito um bolão, o expediente não é seguido. "Punimos o empresário que faz isso", diz Barasuol. As penas variam de uma advertência a multa de R$ 500 e suspensão da permissão de comercializar os jogos.

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