Cai distância Favela-Asfalto

Segundo estudo, enquanto melhorou a vida nas comunidades, piorou nos outros bairros do Rio

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

A desigualdade entre os moradores de favelas e dos demais bairros do Rio foi reduzida nos últimos anos. Mas essa diferença, ligeiramente menor, ocorre mais por uma piora na vida dos que moram no "asfalto" do que uma melhora substancial daqueles que vivem em favelas, aponta o autor do estudo, o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas. A pesquisa Desigualdade e favelas cariocas: a cidade partida está se integrando?, divulgada ontem, usa dados dos anos de 1996 a 2008. Não retrata as mudanças com a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nem as transformações com o PAC das Favelas.

A taxa de pobreza do morador de favela passou de 18,58%, em 1996, para 15,07%, em 2008. Nas outras áreas da cidade, esse índice passou de 7,87% para 9,43%. A renda individual do trabalhador que vive na favela cresceu pouco no período - de R$ 480,25 para R$ 491,13. Enquanto a renda do trabalhador que vive nas outras regiões caiu R$ 137,40 (de R$ 1.278,88 para R$ 1.416,28).

De acordo com Neri, o Rio empobreceu. "A pobreza no Brasil caiu de 28% para 16% e no Rio aumentou de 9,5% para 10,2%." A pesquisa mostra ainda que o morador de favela tinha mais anos de estudo em 2008 (6,38) do que em 1996 (5,01). Já no asfalto, o tempo de estudo passou de 8,8 anos para 9,89 anos. "A principal política (para diminuir as diferenças) talvez seja a de educação, porque as áreas de favela têm população jovem muito maior do que no resto da cidade", diz Neri.

Educação. Elizabeth Gomes, de 41 anos, divide o tempo entre os estudos para concurso público e a obra em casa. Graças a uma bolsa, a filha caçula está matriculada em uma escola particular. Além disso, a menina estuda inglês. Elizabeth mora na Favela Santa Marta, em Botafogo, e diz que "a vida mudou muito".

Até 2004, ela não tinha terminado o ensino médio e trabalhava como recepcionista. Ficou desempregada e não consegui uma nova vaga. Decidiu terminar os estudos. O marido virou taxista. No Santa Marta, as coisas também mudaram. Há coleta de lixo e a energia elétrica chega às casas. Elizabeth só se queixa do esgoto. "Ainda tem vala correndo a céu aberto."

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