Cai Alexandre de Moraes, o supersecretário de Kassab

Há três anos na Prefeitura, ele geria um orçamento de R$ 5 bilhões e acumulava os cargos de secretário de Transportes e de Serviços e de presidente da CET, da SPTrans e do Serviço Funerário

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2010 | 00h00

Homem forte da gestão Gilberto Kassab (DEM) e responsável pelos principais contratos da Prefeitura de São Paulo, Alexandre de Moraes, de 41 anos, o supersecretário das pastas de Transportes e de Serviços e presidente do Serviço Funerário, da SPTrans e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), vai deixar o governo após três anos.

O ex-promotor e ex-presidente da Febem, tido até então como provável candidato do DEM para substituir Kassab nas próximas eleições municipais, entrou em atrito publicamente com a cúpula governista após diversas polêmicas. Em seu lugar nos Transportes assumirá o ex-secretário de Infraestrutura Urbana e Obras Marcelo Cardinale Branco, de 40 anos - que deixou a Prefeitura há duas semanas. Cogita-se o nome do atual titular da pasta do Planejamento, Rubens Chammas, para a vaga de Serviços. Na noite de ontem, Chammas informou não ter sido procurado oficialmente.

Dentre as razões para a queda de Moraes está a sua resistência ao projeto de criação da Autoridade Metropolitana de Transportes. A proposta é uma das principais bandeiras do governo estadual para o transporte públicos. A resistência da Prefeitura, uma das únicas da região a se posicionar contra, colocou Kassab em rota de colisão com seu padrinho político José Serra (PSDB).

Além disso, a saída estaria relacionada com a próxima licitação para os serviços de ônibus e vans na capital. O desgaste, no entanto, vai além e está relacionado com o atraso na entrega da motofaixa da Rua Vergueiro.

Polêmica. A mudança, ainda não confirmada oficialmente pela assessoria do prefeito, deve provocar alterações significativas nos rumos do governo. Moraes administrava um orçamento de R$ 5 bilhões e foi o secretário que comandou as principais ações do governo que resultaram em mudanças no trânsito e na limpeza pública.

Algumas delas foram polêmicas e geraram desgaste ao prefeito, como a redução dos valores dos contratos da coleta do lixo e da varrição. Seis meses após reduzir os contratos em 20%, o lixo que se acumulava nas ruas ajudou a potencializar os efeitos das enchentes. Em seus quase três anos na Prefeitura, Moraes também implementou medidas polêmicas para o trânsito da cidade (ver quadro abaixo).

Perfil. Jurista com 11 anos como promotor do Ministério Público e autor de 14 livros, Moraes funcionou como uma espécie de capitão do time do prefeito Gilberto Kassab. Era um supersecretário, comandando o maior orçamento da Prefeitura. Alexandre foi secretário estadual de Justiça e Cidadania de 2002 a 2005 e membro do Conselho Nacional de Justiça de 2005 a 2007. A carreira política começou em 2002, quando assumiu a Secretaria de Justiça do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Acumulou polêmicas como presidente da Febem naquele ano, com a demissão supostamente arbitrária de 1,6 mil funcionários concursados, que depois acabaram sendo readmitidos por via judicial./ COLABORARAM DIEGO ZANCHETTA, EDUARDO REINA e RODRIGO BRANCATELLI

PONTOS-CHAVE

Fretados

Moraes restringiu a circulação de caminhões e de ônibus fretados em vias da região central da cidade. Secretaria também pretende proibir as motos na 23 de Maio a partir de julho.

Corredores de ônibus

A promessa de construir cinco corredores de ônibus feita na posse, em 2007, acabou reduzida para apenas um, o da Celso Garcia, que virou projeto de metrô e está atrasado.

Estacionamento

Moraes extinguiu 3.144 vagas de Zona Azul na cidade. Pretendia lançar uma licitação para a contratação de 64 garagens verticais, mas a concorrência não chegou a ser feita.

Crise do lixo

Corte nos contratos de varrição e a ameaça de greve dos garis causaram acúmulo de lixo nas ruas da cidade, agravando as consequências das chuvas no verão passado.

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