Beto Vaz.
Beto Vaz.

Cães farejadores levam à prisão casal suspeito do assassinato de Vitória Gabrielly

Casal foi preso hoje de manhã; cheiro de Bruno Oliveira foi detectado por cão no local onde o corpo da menina foi encontrado

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 12h19

MAIRINQUE - Cães farejadores ajudaram a Polícia Civil a considerar esclarecido o assassinato da menina Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, que desapareceu no último dia 8 de junho, depois de sair de casa para andar de patins, em Araçariguama, interior de São Paulo. Segundo a polícia, a garota foi assassinada pelo casal Bruno Marcel de Oliveira, de 33 anos, e Mayara Borges de Abrantes, de 24 anos, presos na manhã desta sexta-feira, 29, em Mairinque, na mesma região. "As diligências empregadas com cães farejadores, treinados para situações como as aqui tratadas, identificaram a presença de Bruno no local em que o corpo da vítima foi localizado", afirmou a polícia no pedido de prisão temporária do casal.

   

Bruno e Mayara já tinham sido apontados como autores do crime pelo servente de pedreiro Julio César Lima Ergesse, que também está preso. A polícia acredita que ele ajudou o casal a matar Vitória, por isso ele também foi indiciado por homicídio doloso, juntamente com o casal. Na manhã desta sexta-feira, a polícia levou os cães à casa de Bruno, em Mairinque, para a coleta de novas provas. De acordo com o delegado seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel, Bruno e Mayara negam o crime, mas, em seus depoimentos, entraram em contradição diversas vezes.     

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No pedido, a polícia afirmou ser necessária a prisão temporária "para se resguardar o sucesso das investigações, pois é imprescindível e urgente o esclarecimento dos fatos, até diante das novas evidências surgidas" e "diante do clamor popular que o caso alcançou". A prisão foi decretada pela Justiça pelo prazo de 30 dias.     

O advogado da família da menina, Roberto Guastelli, disse que a perícia nos celulares dos suspeitos havia apontado que Bruno estava em Araçariguama no dia do crime, o que ele vinha negando desde o início da investigação. Quando o corpo foi encontrado, no dia 16, à margem da Estrada de Aparecidinha, no bairro Caxambu, o casal voltou a ser ouvido e teve o carro periciado, mas nenhum indício foi encontrado.    

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Para o advogado, as provas contra o casal, envolvido com tráfico de drogas, passaram a ser contundentes. Segundo ele, as prisões reforçam a tese de que Vitória foi morta por engano, em possível vingança por dívidas de drogas. "Além da vítima, tem duas meninas de nome Vitória em Araçariguama, uma que irmão já foi ouvido pela polícia e uma terceira, que tem um irmão preso por tráfico. Essa, inclusive, também costuma andar de patins pela cidade."      

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Vitória saiu de casa, no dia 8 de junho, para andar de patins e não voltou mais. A cidade de 17 mil habitantes se mobilizou nas buscas pela garota. O corpo foi encontrado oito dias depois, numa mata à margem da Estrada de Aparecidinha. Os patins foram achados ao lado do corpo. A perícia mostrou que Vitória foi morta de forma violenta, por estrangulamento. Marcas nos braços e pernas revelaram que ela tentou se defender do agressor e teria sido amarrada. A Secretaria da Segurança Pública do Estado chegou a oferecer uma recompensa de até R$ 50 mil a quem desse informações concretas sobre a autoria do crime.

Advogado tenta revogar prisão de casal por falta de provas no caso Vitória

O advogado Jairo Coneglian, que defende o casal preso nesta sexta-feira, 29, em Mairinque, suspeito do assassinato da menina Vitória Gabrielly, vai pedir revogação das prisões temporárias deles, alegando falta de provas. Segundo ele, os indícios alegados pela Polícia Civil são insuficientes para sustentar os mandados de prisão. "Eles (suspeitos) não estiveram em Araçariguama no dia do crime e nem antes. Nos 70 depoimentos colhidos, nenhuma testemunha diz ter visto algum deles lá", disse.       

Ainda conforme a polícia, Bruno e Mayara teriam agido para esconder a verdade, omitindo fatos à investigação. Sinais do celular de Bruno teriam sido detectados em Araçariguama. No início da tarde, os dois foram levados para exames no Instituto Médico Legal (IML) de Sorocaba e ficariam presos em cadeias da região.    

Coneglian informou que deve entrar com pedido de libertação dos suspeitos ainda nesta sexta-feira, no fórum criminal de São Roque. "Se não forem revogadas (as prisões), entro com habeas corpus no Tribunal de Justiça", disse. O advogado contestou a informação de que teria sido detectado sinal do celular de Bruno em Araçariguama. "Até agora, as perícias não comprovam isso". Ele questionou também o odor encontrado por cães farejadores num dos tênis da menina e que seriam de Bruno. "Vou examinar melhor, mas não acredito que seja uma prova suficiente".    

De acordo com o defensor, houve congruência nos depoimentos tomados separadamente de Bruno e de Mayara. "Eles não saíram de Mairinque no dia do crime e deram detalhes de tudo o que fizeram, inclusive compras de panelas e lençóis, tudo confirmado por testemunhas. O carro deles não saiu da oficina". Coneglian atribuiu o fato de Julio César ter incriminado o casal a uma dívida de R$ 100 que ele tinha com Bruno. Ele admitiu que os dois têm passagens por tráfico e Bruno chegou a ser preso. "Em todas as vezes ele foi réu confesso, ou seja, assumiu a culpa", disse.

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