Caem mortes de motociclistas pela 1ª vez em 4 anos

Até setembro, queda foi de 16,2%, de 395 para 331 casos; Prefeitura alega redução de velocidade em vias e mais fiscalização

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h02

Um dos indicadores mais preocupantes sobre o trânsito de São Paulo, o de mortes de motociclistas, está fechando o ano com a primeira queda no número de casos desde 2008. A redução é de 16,2%, de 395 para 331 mortes - na comparação entre os meses de janeiro e setembro de 2011 e 2012.

Há dois motivos principais para esse feito. O primeiro, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), não tem a ver exclusivamente com as motos: é a redução da velocidade máxima permitida para todos os veículos, que foi padronizada em 60 km/h há dois anos. "Quando fizemos a primeira padronização, na Avenida 23 de Maio (e o restante do Corredor Norte-Sul) já havíamos detectado uma redução nos casos de acidentes com motos porque os carros estavam menos rápidos. Então (a diminuição das mortes de motociclistas) era um resultado esperado", diz o gerente de Planejamento da CET, Irineu Gnecco Filho.

Os índices, segundo Gnecco Filho, mostram que, com a frota de carros correndo a uma velocidade menor, o número de acidentes cai e a fatalidade das colisões também. Por isso, os motoqueiros estão correndo menos.

Por outro lado, essa política não combate outra das principais causas desse tipo de acidente, a imprudência dos motoqueiros. Por isso, o segundo motivo apontado pela Prefeitura para a redução das mortes é o aumento da fiscalização. Gnecco Filho não trata como coincidência o fato de as mortes terem diminuído depois de a CET passar a usar radares específicos para flagrar motos correndo demais, os chamados radares-pistola.

"Desde março, quando os radares começaram a funcionar, já aplicamos mais de 35 mil multas", afirma o diretor. Os seis equipamentos ficam instalados em esquema de rodízio em 65 pontos da cidade - os locais com maior registro de acidentes com motos.

Gnecco Filho afirma que uma medida que poderia ajudar a reduzir os acidentes seria diminuir a velocidade permitida para as motos circularem no corredor entre os carros. "No trânsito em movimento, não tem sentido as motos circularem entre os carros com velocidade diferente. Mas quando o trânsito para, e as motos circulam no corredor entre os carros, elas poderiam ter velocidade reduzida a, por exemplo, metade do limite da via", explica. Mas, para isso, seria preciso fazer estudos sobre a eficácia dessa medida e, ainda, mudança nas legislações de trânsito.

A CET chegou a considerar a realização de campanhas educativas na mídia para fazer os motociclistas serem mais prudentes - como ocorre, por exemplo, na Campanha de Proteção ao Pedestre. Mas ainda não há definições sobre o projeto.

Prejuízos. A soma dos dois fatores, velocidade e falta de atenção, fez o motoboy Gerson Silva Cunha, de 31 anos, ficar 45 dias internado e mais um ano em recuperação após uma colisão de sua moto com um carro. "Eu estava atrasado quando saí de casa para o trabalho, e acabei batendo na traseira de um carro que freou perto de mim." Ele passou por cirurgias, teve fratura exposta e por pouco não morreu. O acidente foi na Avenida Washington Luis, que também faz parte do Corredor Norte-Sul.

Para o consultor de engenharia de tráfego Horácio Augusto Figueira, casos como o de Cunha, em que o motociclista sofre acidente e sobrevive, são os que devem ter atenção maior agora, com a redução do número de mortes. "A redução dos limites de velocidade como uma das explicações para a queda de mortes faz todo o sentido. Com menos velocidade, a energia do impacto é reduzida e há mais chances de sobrevivência."

Por isso, diz ele, para saber se os acidentes estão caindo de maneira geral ou se a redução é apenas nas mortes - com aumento de casos de pessoas que ficam internados ou com sequelas -, é preciso novos estudos. "De qualquer forma, a fiscalização precisa ser maior. Ela precisa ser 24 horas, na cidade toda. Hoje, não é", afirma o consultor.

Outro dado que precisa ser levado em conta é que, no momento em que é registrada redução das mortes, a frota de motos em São Paulo vive uma expansão. Aumentou 3% apenas do ano passado para cá. Na comparação com 2008, o aumento foi de 26%, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.