Cadela morre durante tosa em pet shop

Funcionário de um estabelecimento em Curitiba diz que tentou evitar que a Yorkshire o mordesse

EVANDRO FADEL / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h01

Uma cadela da raça Yorkshire morreu no dia 17 em um pet shop no bairro Água Verde, em Curitiba. A morte aconteceu no momento em que um funcionário passava uma rasqueadeira, usada para tosa, nos pelos da cabeça do animal. A dona, Janis Emanuele dos Santos, de 17 anos, registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, acusando o funcionário do pet shop de agressão.

O laudo veterinário aponta que a cadela Mia, com 30 centímetros e pouco mais de 1,5 kg, teve parada respiratória, edema e sangramento na região do crânio, morrendo às 16h50 por "possível traumatismo craniano". O diretor do pet shop, Luciano Mafra, disse que demitiu o funcionário, mesmo acreditando que não houvesse intenção de matar o animal.

O rapaz, que trabalhava havia cerca de um ano como tosador naquele estabelecimento, contou-lhe que a cadela se projetou como se fosse mordê-lo e ele teve uma reação de afastá-la. "Uma virada de pulso", afirmou Mafra. "Foi um ato impensado."

O pet shop não divulgou o nome do funcionário. De acordo com Mafra, quem trabalha há cerca de seis anos com cães, como seria o caso de seu ex-funcionário, deveria estar acostumado com as mais variadas reações dos animais.

"Ele foi demitido porque nos sentimos desapontadíssimos, uma traição por acreditarmos no profissional", disse. "O fato deixou-o muito chocado, ele ficou em prantos."

Mafra ressaltou que o rapaz cumpria uma das principais exigências do pet shop quando contrata funcionários, que é gostar de animais. No estabelecimento são feitos mais de 1.200 banhos e tosas por mês.

Indicação. O técnico em eletrônica Bruno Maziero, de 22 anos, foi quem indicou o pet shop para sua namorada, dona da cadela, pois usa os serviços do local há algum tempo. No mesmo dia em que Mia morreu, o diretor da loja encontrou um filhote de Yorkshire e deu para Janis. "Para ajudar a dividir a dor", explicou Mafra. Ele ressaltou que no local há câmera de vídeo, mas o equipamento não teria registrado o momento em que a cadela foi atingida. "Não tem como provar nada", destacou.

Maziero tentou ver o filme, o que lhe foi negado. "Se a polícia ou a Justiça pedirem, está aqui na hora", disse Mafra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.