Cadastro para usar o novo bilhete único mensal vai começar em abril

Promessa de Haddad, sistema vai funcionar no 2º semestre, segundo anúncio feito ontem no encontro entre prefeito e governador

ARTUR RODRIGUES , CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2013 | 02h04

No primeiro encontro do prefeito Fernando Haddad (PT) com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), ontem no Palácio dos Bandeirantes, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, aproveitou a ocasião para anunciar a criação, em abril, do cadastro de usuários do bilhete único mensal. A principal promessa de campanha de Haddad deverá ser implementada no segundo semestre.

Da reunião entre tucano e petista, porém, não saiu acordo sobre a participação do Estado no projeto petista por meio do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Haddad e Alckmin trataram de "parcerias" nas áreas de habitação, segurança e educação. Em dois dias, novas parcerias deverão ser anunciadas por Haddad, quando a presidente Dilma Rousseff (PT) chegar a São Paulo para a festa dos 459 anos da capital.

Ontem, Tatto informou que o cadastro do bilhete único mensal deverá ser feito inicialmente pela internet, com base no número do CPF dos passageiros. Pela promessa de campanha do PT, o usuário terá de pagar R$ 140 por um número irrestrito de viagens no mês. Por esse preço, o pacote valeria a pena para quem faz mais de 46 viagens de ônibus mensais. Deverá também haver a possibilidade de carregamento semanal. Pela estimativa da Prefeitura, o bilhete mensal custará R$ 400 milhões anuais em subsídios. Neste ano, sem a criação da tarifação que vale por 30 dias, o gasto já será de R$ 660 milhões.

Tatto conta com a integração com o Metrô, fundamental para o projeto ser bem sucedido, para a implementação do bilhete. "A ideia é não esperar a Prefeitura lançar o bilhete único mensal e depois o Metrô, mas lançar de forma conjunta", disse Tatto.

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, avalia que a integração é viável tecnicamente. "Para nós é tranquilo. A tecnologia é de competência da SPTrans (São Paulo Transporte, da Prefeitura). O que nós temos que ver é o impacto financeiro", disse. Segundo ele, como já é possível fazer a integração entre as linhas de metrô, o impacto não deve ser muito grande. "Os primeiros indícios é de que o impacto será mais no fim de semana."

O diretor da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Rogério Belda, analisa que o sistema também é vantajoso para o Metrô e a CPTM, mas disse não acreditar que a implementação será rápida. Para ele, o benefício para as empresas será o pagamento adiantado da tarifa. "Será uma espécie de cartão de crédito às avessas, pago antes pelo usuário."

Tecnologia. Para evitar fraude, o sistema terá identificação biométrica, por impressão digital. A troca dos validadores será feita pelas empresas de ônibus e estará incluída na concessão.

O arquiteto Flamínio Fichmann, consultor de Transportes, afirma que o bilhete mensal aumenta a chance de fraudes "porque será possível usá-lo à vontade". "Se, por exemplo, alguém pegá-lo e o der para outro usuário, ele vai lá e usa. É um problema", disse. A leitura biométrica, para Fichmann, pode ainda piorar a lentidão nos corredores.

De acordo com o secretário municipal Jilmar Tatto, entre as opções estudadas para agilizar o sistema está a possibilidade de carregar o bilhete único por via bancária, como acontece com celulares pré-pagos.Ele também quer que o bilhete possa ser utilizado para alugar bicicletas e pagar Zona Azul.

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