Cada obra atrasada fica até 30% mais cara

Valor acaba incluído no orçamento por sucessivos aditamentos da Prefeitura de SP

EDISON VEIGA e VITOR HUGO BRANDALISE, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

Não bastasse o fato de a população demorar a usufruir o equipamento cultural, cada atraso na obra ainda representa um ônus financeiro aos cofres públicos. Em média, de acordo com levantamento feito pelo Estado, cada obra atrasada teve orçamento reajustado em até 30%.

Das dez principais obras culturais tocadas pela Prefeitura de São Paulo - oito com cronograma atrasado -, metade sofreu reajustes financeiros em sucessivos aditamentos de contrato. O Centro Cultural da Penha, na zona leste, por exemplo, cujo orçamento inicial era de pouco mais de R$ 1,5 milhão, agora deve custar R$ 2 milhões.

Situações semelhantes ocorrem na Biblioteca Mário de Andrade (que foi de R$ 13,2 milhões para R$ 16,4 milhões; 24% mais cara, em quatro aditamentos contratuais), no Teatro Municipal (de R$ 5,8 milhões para R$ 7,1 milhões; aumento de 22,5%, em dois aditamentos), na Praça das Artes (de R$ 103 milhões para R$ 123,5 milhões; acréscimo de 20%) e no Solar da Marquesa (de R$ 1,9 milhão para R$ 2 milhões, acréscimo de 5,2%).

Peculiaridades. Profissionais envolvidos no restauro, reforma e construção de equipamentos culturais atribuem a características próprias do setor as causas dos atrasos e reajustes. Há também fatores mais prosaicos. "No ano passado, tivemos uma temporada chuvosa. Isso atrasou as obras do Teatro Municipal no mínimo em cinco meses", afirma a engenheira Maria Aparecida Soukef, gerente da Concrejato, responsável pela recuperação do prédio. "Como a maior parte dos trabalhos é de recuperação das fachadas, há atividades que simplesmente não conseguimos fazer com umidade."

No caso do Solar da Marquesa, mudanças no método de restauro e a descoberta de vestígios arqueológicos após o início das obras levaram a três adaptações de contrato, num atraso que já chega a oito meses. "Às vezes, os atrasos vêm para preservação, como quando percebemos que seria possível restaurar portas e piso originais, e não mais trocá-los", disse o restaurador responsável pela obra, Antônio Sarasá, do Atelier Artístico Sarasá. "Deve haver diretrizes para a obra, mas não acho que seja possível prever tudo, pois engessaria a obra e encareceria o processo logo no princípio."

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