Cachorros mataram as emas, diz laudo

Perícia descartou envenenamento de 11 aves, encontradas mortas nos dias 18 e 19; só restou um exemplar da espécie no Zoo Safári

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

O laudo sobre a morte das 11 emas do Zoo Safári de São Paulo, na zona sul, constatou que as aves foram vítimas da ação de um tipo de predador, provavelmente cachorros. Os exames da perícia veterinária descartaram a possibilidade de envenenamento dos animais, encontrados mortos no fim de semana dos dias 18 e 19 de setembro.

Agora, a 2.ª Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente vai ouvir mais um funcionário do zoo - um coordenador. "Os laudos estão prontos e devem chegar em breve", afirmou o delegado Sebastião Celso dos Santos, responsável pela investigação do caso. Segundo ele, com os laudos e o depoimento desse último funcionário, a apuração deve ser concluída. O delegado pretende relatar o inquérito propondo o arquivamento do caso.

Apenas uma das 12 emas do zoo sobreviveu aos ataques naquele fim de semana. Na madrugada do dia 18, funcionários do parque encontraram oito aves mortas. As emas pareciam ter marcas feitas por predadores. Nenhum pavão que convivia com as aves foi atacado. Nem a lhama que vivia no mesmo espaço sofreu agressão.

A explicação, segundo os funcionários do zoo, para o fato de elas terem sido as únicas atacadas estava nas características das aves. As emas são a maior das aves brasileiras, podendo chegar a 1,60 m e correr a até 60 km/h em situações de perigo. Mas, durante a noite, a visão dos bichos diminui muito. Aliado a isso, as emas têm o hábito de dormir sentadas, o que as tornariam presas fáceis.

Além das oito emas mortas, uma nona foi encontrada ferida fora da área reservada ao grupo no parque. Os funcionários contaram aos policiais que reforçaram a vigilância no dia seguinte e surpreenderam três cães vira-latas atacando as três emas que sobreviveram à investida anterior. Eles ainda tentaram salvar as aves, mas não conseguiram.

Apreensão. Na segunda-feira, um dos cães suspeitos de ter participado da morte das emas foi encontrado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e apreendido a pedido da fundação, após vagar pelas proximidades do zoo. O bicho foi descrito como sendo um cachorro de grande porte que, aparentemente, era agressivo e representaria, segundo a Prefeitura, risco à saúde pública.

"Com a conclusão do laudo, o único delito que poderia ser apurado seria a omissão na guarda dos animais. Mas, como os agressores seriam cães vira-latas, não há como localizar um possível proprietário", afirmou o delegado Santos.

Os vizinhos do parque relatam que, atualmente, não há presença de animais predadores na região e que, na madrugada do ataque, não perceberam nenhuma situação anormal no bairro.

De acordo com a Fundação Zoológico São Paulo, que administra o Zoo Safári, cada ema estava avaliada em cerca de R$ 5 mil. Por conta do ataque, a direção do local reforçou a segurança do parque. No entanto, não especificou quantos agentes a mais foram deslocados para evitar nova invasão de cachorros. Atualmente, o muro do zoológico está em reforma. Na semana passada, a administração informou que não é possível saber por onde os cães entraram, mas descartou qualquer relação com a obra. / COLABOROU LUIZ GUILHERME GERBELLI

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