GABRIELA BILO / ESTADAO
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Cachorrinha de serviço, Paçoca auxilia paratleta em atividades diárias

O jogador de rúgbi Lucas França, que é tetraplégico há 8 anos, conta com a ajuda do animal desde agosto

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2017 | 19h23

SÃO PAULO - Paçoca foi criada para servir. Com comandos específicos, apaga e acende o interruptor com o focinho e abocanha objetos que caem no chão para devolver ao dono. Também usa focinho e boca para abrir e fechar gavetas. Desde os primeiros meses de vida, foi treinada para ser cão-assistência. 

Da raça Golden Retriever, ela tem somente dois anos e a partir desta segunda-feira, 13, será oficialmente uma extensão amiga do atleta paralímpico de rúgbi Lucas França, de 29 anos, tetraplégico há oito. 

"Ela me ajuda em coisas que não imaginaria que ajudasse. Um exemplo é em uma transferência. Tenho muita dificuldade em transferir da minha cadeira para a cama, da minha cadeira para o carro. Uso uma faixa, coloco um cinto. Ela consegue puxar esse cinto e me ajudar na transferência", explica o jovem. 

Os dois estão juntos desde agosto. No início, em processo de adaptação e criação de vínculos, Lucas e Paçoca fizeram treinos externos de duas a três vezes por semana. O passo seguinte foi acompanhar as atividades diárias do atleta para conhecer os ambientes que frequenta. 

Após quase sete meses em parceria, hoje Paçoca consegue até mesmo retirar com os dentes as meias de Lucas, que tem dificuldade para mexer os dedos das mãos. "Tenho certeza de que daqui para frente vamos descobrir várias outras coisas (que ela consegue fazer)."

Para estar com o atleta, a cadela foi treinada por dois anos pelo projeto social Cão Inclusão, da empresa Tudo de Cão. Segundo o sócio fundador Leonardo Ogata, a fila de espera de deficientes interessados é de aproximadamente 100 pessoas. Paçoca é o terceiro cão de serviço entregue desde 2013. 

Ogata explica que no primeiro ano de treinamento, o cachorro fica com uma família socializadora, responsável por apresentar o cão ao mundo, socializando e educando. "Depois, fazemos treinos específicos. Atualmente, estamos com quatro filhotes em família socializadora e mais dois em treinamento final", diz o sócio. 

De acordo com Ogata, hoje a maior dificuldade para treinamento dos cães de assistência são os recursos. São dois anos de treinamento até a entrega do animal e outros oito de acompanhamento. Todo o custo, explica, do nascimento até a aposentadoria do cachorro, gira em torno dos R$ 100 mil. "O limitador hoje é, efetivamente, o custo", afirma.

Paçoca faz parte do projeto Genocão, da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que treina cachorros para exercer a função de cão-assistência e coterapeutas às pessoas com deficiência. O treinamento dela foi financiado pelo Fundo Estadual de Interesses Difusos (FID), vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. 

A parceria com a Tudo de Cão e o governo estadual, estimada em R$ 2,7 milhões, prevê o treinamento de 10 cães de assistência até o ano que vem. Paçoca foi a primeira. Dois outros cachorros estão prontos para entrega ainda este ano. 

 

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